Resumo do Livro Shiva Tantra para Libertação Espiritual
Este Tantra foi cocriado para
a humanidade e é o que ela precisa para viver em harmonia e felicidade para
sempre. E, portanto, ela (a humanidade) tem que aprender a autocontrolar a
mente, elevando-se para alcançar patamares da consciência onde existe uma
lógica perfeita. Essa mente que busca por transcendência deve desenvolver raciocínios
que eliminem os condicionamentos, os pensamentos de infelicidade e outras
limitações das ideias.
Para tanto, a busca, a que o
livro se refere, envolve compreensão espiritual e devoção à Pessoa de Deus (Bhagavan),
com abertura a Prema Bhakti (serviço de amor puro a Deus), sabendo onde se quer
chegar e direcionando a mente a um raciocínio lógico, que envolve a compreensão
da eternidade. Considerando-se que a eternidade está muito além do pensamento
comum, para atingi-la, é preciso romper com os padrões comuns da compreensão linear
do campo da existência.
Como caminho para tanto, no
Tantra impersonalista (não-dualista), a Meta Última é sayujya moksha (ou
mukti), tendo a liberação por aniquilação do ego, ou seja, uma liberação
não qualificada, que significa uma autoidentificação da alma para com o Supremo
Senhor. Mas para os devotos personalistas (dualistas), a meta última é samipya
moksha, ou seja, de se tornar um associado íntimo do Senhor.
No Tantra que aqui descrevemos,
vemos as duas concepções como dois lados da mesma moeda. Partindo disso, vivencia-se
a autorrealização a partir de um ângulo de visão de uma alma associada íntima
da Suprema Pessoa, que se reconhece como parte do todo ao qual pertence, em
unidade com Ele. Apesar da unidade (na não-dualidade), não se perde a associação
íntima com a Eterna Pessoa de Deus, que para nós é Shiva, Krishna ou Vishnu,
Harihara ou Shankaranarayana.
Compreendemos que Bhagavan, a
Suprema Pessoa, é o Brahman e o Paramatma. Brahman é a Suprema Imanência, a Onisciência e
a Onipotência, que em tudo há, um jeito d’Ele brilhar e de se mostrar. Ao passo
que Paramatma é a presença do Senhor no coração, ou seja, sua imanência em cada
alma. Mukti e Prema Bhakti são, portanto, experiências
interligadas, na vivência que a alma experimenta segundo o princípio do
dualismo-não dualismo (Bhedabheda Tattva).
No livro Shiva Tantra está
escrito:
“Sendo assim, para haver um
raciocínio mais condizente com a natureza de cada alma individual, como parte
deste Todo, é preciso que ela entenda que o Eu Primordial se manifesta quando
a Consciência se faz Luz, ao se reconhecer através da Forma”.
E o Senhor Shiva complementa: “(...).
Para se pensar distintamente dos que não se percebem divinos serem, quem se
pensa precisa por outra conformação das ideias procurar. Sendo assim, ensino
aqui o que necessário se faz. Que o necessário se faça, segundo a vontade de a
si mesma a pessoa transcender, mas, seriamente e não apenas de forma a
condicionada continuar”.
Com base nesses ensinamentos, deve-se
ter seriedade na busca pelo que é transcendental, procurando se conhecer a si
mesmo e, ao mesmo tempo, adquirindo conhecimento sobre Deus. Então a
experiência tântrica, através do esforço, fluirá e se tornará espontânea, do
que surgem eventos para a consciência que se transcendentalizou, que são resultados
práticos na existência individual.
Perguntas/Respostas
Diálogo Entre Prema Sakhi e Guru Ma Shri
1-Sobre felicidade eterna e
estar vivendo nesse mundo linear, ao conhecer a Suprema Personalidade e com Ele
se relacionar. O que a Senhora poderia esclarecer para a mente linear, como é
exatamente ser e estar nessa felicidade?
A felicidade eterna (sat-cit-ananda)
é persistente sensação de leveza, alegria e bem-aventurada intimidade com a
Pessoa Suprema. Essa intimidade, no Tantra que se rege pelo princípio da
dualidade-não dualidade (personalismo – não personalismo), é fruto de se ter
atingido a unidade com o Todo que Ele é e a alma se percebe sendo esse Todo (Mukti),
mas também de estar vivendo uma relação íntima com tal Suprema Pessoa, com o
coração rendido e repleto de amor puro por Deus (Prema Bhakti). Ser e
estar nessa felicidade eterna é viver em consciência contínua tântrica em tudo
o que se faça, sejam as atividades pertencentes ao campo da linearidade, sejam
elas mais puramente religiosas. Tudo se torna expressão da união perfeita e da
eterna relação com Shiva.
2- O Senhor Shiva fala: “O
campo do que pertence ao pensamento transcendental não é propriamente um campo,
exceto se quem o reconhece como tal esteja ausente de qualquer padrão da
linearidade.” A Senhora poderia falar mais sobre esse campo?
O mundo transcendental não se
ajusta a nenhum conceito criado pelo pensamento linear, portanto o “campo” da
experiência transcendental só é assim chamado para que se possa, de alguma
maneira, explicar a transcendência. Não há propriamente um campo, mas experiências,
percepções, sentimentos, conhecimentos que se interligam em um Todo lógico,
perfeito e eterno. Explicamos esse Todo como um “campo” apenas de maneira
ilustrativa, pois a palavra em si falha na concepção do que ele é, por ser ela
uma palavra criada pela mente linear.
3- Então, a Senhora poderia
falar mais sobre sayujya moksha (ou mukti) na interação da pessoa
enquanto alma, com Deus?
Quando conhecemos nossa
relação íntima com a Pessoa de Deus, vivemos ela com um humor que caracteriza
nossa relação com Ele (Bhava). Além disso, se nossa consciência está
sendo regida pelo Tantra dualista - não dualista (por bhedabheda tattva),
nos percebemos unos com Deus. Nesse caso, tudo na vida se torna cocriado com
Ele. Perdemos a noção de estarmos alheios à condução dos nossos destinos, como
na concepção dualista de Deus, que faz as pessoas se sentirem meramente
dependentes da vontade dEle. Somos dependentes e, ao mesmo tempo,
coparticipativos nas decisões e nas construções das nossas vidas, que são
regidas pelo uníssono de interesses que temos para com Ele (como parte dEle).
4-E quando a alma individual se
autorrealiza, através do ato cocriativo, realizando o aspecto que lhe dá
reflexo, a senhora poderia esclarecer mais sobre essa dinâmica?
A alma se autorrealiza através
do ato cocriativo quando ela se percebe Una com Shiva, enquanto cocria sua
experiência com Ele enquanto Pessoa. Essa Pessoa (Shiva) lhe reflete de volta
quem ela é (a alma), ao perceber-se junto dEle, vivendo com Ele uma experiência
transcendental.
5- Se o Brahman é um
jeito do Senhor brilhar se fazendo presente, o que poderia significar para Sua
criação um jeito de se aproximar mais dEle?
Contemplar tudo que existe,
amando a experiência da vida, por vê-Lo em todas as coisas que temos a fazer,
nas pessoas em geral e em cada ser vivente. Tudo vibra com o brilho dEle, mas
só percebemos o Brahman quando essa compreensão se torna autorrelizada.
Saber disso apenas teoricamente não nos autoriza a vivenciar o jeito de ser do
Senhor que está em tudo ao nosso redor. Só conseguimos nos aproximar mais dEle
através do Seu brilho quando nos percebemos enquanto o brilho também, imersos
que estamos no Todo da presença Una junto de Mahadeva.
6-A Senhora poderia falar mais
sobre as configurações dos Ternários Originais, onde as suas configurações irão
surgir a estrutura sétupla universal?
Esse tema é bem complexo para
quem não conhece os campos de integração de forças que se formam entre o “foco
de atividade construtiva (a Consciência Original), outro que lhe manifesta a
Vontade (a Forma Primordial) e um campo de interação entre ambos, que contém
tanto Consciência quanto Forma e do qual, portanto, aflora a Sabedoria do
processo recíproco que o origina (Shiva Tantra, p. 34)”. A Consciência
Original é a Primeira Pessoa Suprema (Parameswara ou Ishwara) e a
Forma Primordial é a Contraparte Complementar dEle (Parameswari ou Ishwari).
O campo de interação entre ambos é gerado a partir da dança cósmica que
eternamente se faz entre Shiva Shakti – Radha Krishna. Os Ternários Originais
são arquétipos que, quando tantricamente autorrealizados, fornecem consciência
cocriativa na Unidade com Shiva Shakti (não-dualista), em conformidade com a
experiência específica de cada um (dualista).