domingo, 15 de fevereiro de 2026

SHIVA

 


Shiva é uma dádiva que se fornece por Ele mesmo para o ser humano de cada uma das épocas ter consciência de si e de Deus. Ele se faz compreender a partir de diferentes ângulos de visão, porém, dentre tais ângulos, apenas os que se referem à mais plena compreensão dEle serão aqui considerados.

A plenitude da compreensão de Shiva está na absoluta consciência, a qual só pode ser alcançada através do amor puro e da perfeita devoção. Então, como é apresentado em Shiva Tantra para a Libertação Espiritual (2017):

“Assim como em Ardhanareshwar, a condição andrógina de Shiva (em Shakti) e/ou de Shakti (em Shiva), há União Mística perfeita, a alma in­dividual atinge sua bem-aventurança ao encontrar dentro de si o que a leva a realizar aquela mesma condição em Bhagavan, in­dependente da identidade que Ele tenha para quem o busca. Ao realizar a União Mística dos dois princípios opostos e comple­mentares originais, então, a pessoa humana realizará o equilíbrio entre ambos os princípios dentro de si”.

Bhagavan é a Pessoa de Deus, é Shiva, Shankara, Mahadeva. A União Mística é a perfeita maneira de existir, com clareza de consciência eterna e, portanto, ininterrupta. Quando a alma atinge tal estado de autocontemplação, ela conhece Shiva. Desejamos falar sobre Ele, a Shakti e a alma em estado de sat-cit-ananda - felicidade eterna na vivência da suprema verdade.

Se quiser nos conhecer melhor, entre em contato através do e-mail srikrishnamadhurya@gmail.com.

 

Veja também:

Mística Luz dos Jardins de Krishna

https://jardinsdekrishna.com/


Shri Krishna Madhurya

http://srikrishnamadhurya.blogspot.com/

 

Shiva Tantra e a Transcendência da Mente


 Resumo do Livro Shiva Tantra para Libertação Espiritual

Este Tantra foi cocriado para a humanidade e é o que ela precisa para viver em harmonia e felicidade para sempre. E, portanto, ela (a humanidade) tem que aprender a autocontrolar a mente, elevando-se para alcançar patamares da consciência onde existe uma lógica perfeita. Essa mente que busca por transcendência deve desenvolver raciocínios que eliminem os condicionamentos, os pensamentos de infelicidade e outras limitações das ideias.

Para tanto, a busca, a que o livro se refere, envolve compreensão espiritual e devoção à Pessoa de Deus (Bhagavan), com abertura a Prema Bhakti (serviço de amor puro a Deus), sabendo onde se quer chegar e direcionando a mente a um raciocínio lógico, que envolve a compreensão da eternidade. Considerando-se que a eternidade está muito além do pensamento comum, para atingi-la, é preciso romper com os padrões comuns da compreensão linear do campo da existência.  

Como caminho para tanto, no Tantra impersonalista (não-dualista), a Meta Última é sayujya moksha (ou mukti), tendo a liberação por aniquilação do ego, ou seja, uma liberação não qualificada, que significa uma autoidentificação da alma para com o Supremo Senhor. Mas para os devotos personalistas (dualistas), a meta última é samipya moksha, ou seja, de se tornar um associado íntimo do Senhor.

No Tantra que aqui descrevemos, vemos as duas concepções como dois lados da mesma moeda. Partindo disso, vivencia-se a autorrealização a partir de um ângulo de visão de uma alma associada íntima da Suprema Pessoa, que se reconhece como parte do todo ao qual pertence, em unidade com Ele. Apesar da unidade (na não-dualidade), não se perde a associação íntima com a Eterna Pessoa de Deus, que para nós é Shiva, Krishna ou Vishnu, Harihara ou Shankaranarayana.  

Compreendemos que Bhagavan, a Suprema Pessoa, é o Brahman e o Paramatma. Brahman é a Suprema Imanência, a Onisciência e a Onipotência, que em tudo há, um jeito d’Ele brilhar e de se mostrar. Ao passo que Paramatma é a presença do Senhor no coração, ou seja, sua imanência em cada alma. Mukti e Prema Bhakti são, portanto, experiências interligadas, na vivência que a alma experimenta segundo o princípio do dualismo-não dualismo (Bhedabheda Tattva).

No livro Shiva Tantra está escrito:

“Sendo assim, para haver um raciocínio mais condizente com a natureza de cada alma individual, como parte deste Todo, é preciso que ela entenda que o Eu Primordial se manifesta quan­do a Consciência se faz Luz, ao se reconhecer através da Forma”.

E o Senhor Shiva complementa: “(...). Para se pensar distintamente dos que não se percebem divinos serem, quem se pensa precisa por outra conformação das ideias procurar. Sendo assim, ensino aqui o que necessário se faz. Que o necessário se faça, segundo a vontade de a si mesma a pessoa transcender, mas, seriamente e não apenas de forma a condicionada continuar”.

Com base nesses ensinamentos, deve-se ter seriedade na busca pelo que é transcendental, procurando se conhecer a si mesmo e, ao mesmo tempo, adquirindo conhecimento sobre Deus. Então a experiência tântrica, através do esforço, fluirá e se tornará espontânea, do que surgem eventos para a consciência que se transcendentalizou, que são resultados práticos na existência individual.

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre Prema Sakhi e Guru Ma Shri


1-Sobre felicidade eterna e estar vivendo nesse mundo linear, ao conhecer a Suprema Personalidade e com Ele se relacionar. O que a Senhora poderia esclarecer para a mente linear, como é exatamente ser e estar nessa felicidade?

A felicidade eterna (sat-cit-ananda) é persistente sensação de leveza, alegria e bem-aventurada intimidade com a Pessoa Suprema. Essa intimidade, no Tantra que se rege pelo princípio da dualidade-não dualidade (personalismo – não personalismo), é fruto de se ter atingido a unidade com o Todo que Ele é e a alma se percebe sendo esse Todo (Mukti), mas também de estar vivendo uma relação íntima com tal Suprema Pessoa, com o coração rendido e repleto de amor puro por Deus (Prema Bhakti). Ser e estar nessa felicidade eterna é viver em consciência contínua tântrica em tudo o que se faça, sejam as atividades pertencentes ao campo da linearidade, sejam elas mais puramente religiosas. Tudo se torna expressão da união perfeita e da eterna relação com Shiva.

 

2- O Senhor Shiva fala: “O campo do que pertence ao pensamento transcendental não é propriamente um campo, exceto se quem o reconhece como tal esteja ausente de qualquer padrão da linearidade.” A Senhora poderia falar mais sobre esse campo?

O mundo transcendental não se ajusta a nenhum conceito criado pelo pensamento linear, portanto o “campo” da experiência transcendental só é assim chamado para que se possa, de alguma maneira, explicar a transcendência. Não há propriamente um campo, mas experiências, percepções, sentimentos, conhecimentos que se interligam em um Todo lógico, perfeito e eterno. Explicamos esse Todo como um “campo” apenas de maneira ilustrativa, pois a palavra em si falha na concepção do que ele é, por ser ela uma palavra criada pela mente linear.

 

3- Então, a Senhora poderia falar mais sobre sayujya moksha (ou mukti) na interação da pessoa enquanto alma, com Deus?

Quando conhecemos nossa relação íntima com a Pessoa de Deus, vivemos ela com um humor que caracteriza nossa relação com Ele (Bhava). Além disso, se nossa consciência está sendo regida pelo Tantra dualista - não dualista (por bhedabheda tattva), nos percebemos unos com Deus. Nesse caso, tudo na vida se torna cocriado com Ele. Perdemos a noção de estarmos alheios à condução dos nossos destinos, como na concepção dualista de Deus, que faz as pessoas se sentirem meramente dependentes da vontade dEle. Somos dependentes e, ao mesmo tempo, coparticipativos nas decisões e nas construções das nossas vidas, que são regidas pelo uníssono de interesses que temos para com Ele (como parte dEle).

 

4-E quando a alma individual se autorrealiza, através do ato cocriativo, realizando o aspecto que lhe dá reflexo, a senhora poderia esclarecer mais sobre essa dinâmica?

A alma se autorrealiza através do ato cocriativo quando ela se percebe Una com Shiva, enquanto cocria sua experiência com Ele enquanto Pessoa. Essa Pessoa (Shiva) lhe reflete de volta quem ela é (a alma), ao perceber-se junto dEle, vivendo com Ele uma experiência transcendental.

 

5- Se o Brahman é um jeito do Senhor brilhar se fazendo presente, o que poderia significar para Sua criação um jeito de se aproximar mais dEle?

Contemplar tudo que existe, amando a experiência da vida, por vê-Lo em todas as coisas que temos a fazer, nas pessoas em geral e em cada ser vivente. Tudo vibra com o brilho dEle, mas só percebemos o Brahman quando essa compreensão se torna autorrelizada. Saber disso apenas teoricamente não nos autoriza a vivenciar o jeito de ser do Senhor que está em tudo ao nosso redor. Só conseguimos nos aproximar mais dEle através do Seu brilho quando nos percebemos enquanto o brilho também, imersos que estamos no Todo da presença Una junto de Mahadeva.

 

6-A Senhora poderia falar mais sobre as configurações dos Ternários Originais, onde as suas configurações irão surgir a estrutura sétupla universal?

Esse tema é bem complexo para quem não conhece os campos de integração de forças que se formam entre o “foco de atividade construtiva (a Consciência Original), outro que lhe manifesta a Vontade (a Forma Primordial) e um campo de interação entre ambos, que contém tanto Consciência quanto Forma e do qual, portanto, aflora a Sabedoria do processo recí­proco que o origina (Shiva Tantra, p. 34)”. A Consciência Original é a Primeira Pessoa Suprema (Parameswara ou Ishwara) e a Forma Primordial é a Contraparte Complementar dEle (Parameswari ou Ishwari). O campo de interação entre ambos é gerado a partir da dança cósmica que eternamente se faz entre Shiva Shakti – Radha Krishna. Os Ternários Originais são arquétipos que, quando tantricamente autorrealizados, fornecem consciência cocriativa na Unidade com Shiva Shakti (não-dualista), em conformidade com a experiência específica de cada um (dualista).

SHIVA

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