domingo, 15 de fevereiro de 2026

SHIVA

 


Shiva é uma dádiva que se fornece por Ele mesmo para o ser humano de cada uma das épocas ter consciência de si e de Deus. Ele se faz compreender a partir de diferentes ângulos de visão, porém, dentre tais ângulos, apenas os que se referem à mais plena compreensão dEle serão aqui considerados.

A plenitude da compreensão de Shiva está na absoluta consciência, a qual só pode ser alcançada através do amor puro e da perfeita devoção. Então, como é apresentado em Shiva Tantra para a Libertação Espiritual (2017):

“Assim como em Ardhanareshwar, a condição andrógina de Shiva (em Shakti) e/ou de Shakti (em Shiva), há União Mística perfeita, a alma in­dividual atinge sua bem-aventurança ao encontrar dentro de si o que a leva a realizar aquela mesma condição em Bhagavan, in­dependente da identidade que Ele tenha para quem o busca. Ao realizar a União Mística dos dois princípios opostos e comple­mentares originais, então, a pessoa humana realizará o equilíbrio entre ambos os princípios dentro de si”.

Bhagavan é a Pessoa de Deus, é Shiva, Shankara, Mahadeva. A União Mística é a perfeita maneira de existir, com clareza de consciência eterna e, portanto, ininterrupta. Quando a alma atinge tal estado de autocontemplação, ela conhece Shiva. Desejamos falar sobre Ele, a Shakti e a alma em estado de sat-cit-ananda - felicidade eterna na vivência da suprema verdade.

Se quiser nos conhecer melhor, entre em contato através do e-mail srikrishnamadhurya@gmail.com.

 

Veja também:

Mística Luz dos Jardins de Krishna

https://jardinsdekrishna.com/


Shri Krishna Madhurya

http://srikrishnamadhurya.blogspot.com/

 

Shiva Tantra e a Transcendência da Mente


 Resumo do Livro Shiva Tantra para Libertação Espiritual

Este Tantra foi cocriado para a humanidade e é o que ela precisa para viver em harmonia e felicidade para sempre. E, portanto, ela (a humanidade) tem que aprender a autocontrolar a mente, elevando-se para alcançar patamares da consciência onde existe uma lógica perfeita. Essa mente que busca por transcendência deve desenvolver raciocínios que eliminem os condicionamentos, os pensamentos de infelicidade e outras limitações das ideias.

Para tanto, a busca, a que o livro se refere, envolve compreensão espiritual e devoção à Pessoa de Deus (Bhagavan), com abertura a Prema Bhakti (serviço de amor puro a Deus), sabendo onde se quer chegar e direcionando a mente a um raciocínio lógico, que envolve a compreensão da eternidade. Considerando-se que a eternidade está muito além do pensamento comum, para atingi-la, é preciso romper com os padrões comuns da compreensão linear do campo da existência.  

Como caminho para tanto, no Tantra impersonalista (não-dualista), a Meta Última é sayujya moksha (ou mukti), tendo a liberação por aniquilação do ego, ou seja, uma liberação não qualificada, que significa uma autoidentificação da alma para com o Supremo Senhor. Mas para os devotos personalistas (dualistas), a meta última é samipya moksha, ou seja, de se tornar um associado íntimo do Senhor.

No Tantra que aqui descrevemos, vemos as duas concepções como dois lados da mesma moeda. Partindo disso, vivencia-se a autorrealização a partir de um ângulo de visão de uma alma associada íntima da Suprema Pessoa, que se reconhece como parte do todo ao qual pertence, em unidade com Ele. Apesar da unidade (na não-dualidade), não se perde a associação íntima com a Eterna Pessoa de Deus, que para nós é Shiva, Krishna ou Vishnu, Harihara ou Shankaranarayana.  

Compreendemos que Bhagavan, a Suprema Pessoa, é o Brahman e o Paramatma. Brahman é a Suprema Imanência, a Onisciência e a Onipotência, que em tudo há, um jeito d’Ele brilhar e de se mostrar. Ao passo que Paramatma é a presença do Senhor no coração, ou seja, sua imanência em cada alma. Mukti e Prema Bhakti são, portanto, experiências interligadas, na vivência que a alma experimenta segundo o princípio do dualismo-não dualismo (Bhedabheda Tattva).

No livro Shiva Tantra está escrito:

“Sendo assim, para haver um raciocínio mais condizente com a natureza de cada alma individual, como parte deste Todo, é preciso que ela entenda que o Eu Primordial se manifesta quan­do a Consciência se faz Luz, ao se reconhecer através da Forma”.

E o Senhor Shiva complementa: “(...). Para se pensar distintamente dos que não se percebem divinos serem, quem se pensa precisa por outra conformação das ideias procurar. Sendo assim, ensino aqui o que necessário se faz. Que o necessário se faça, segundo a vontade de a si mesma a pessoa transcender, mas, seriamente e não apenas de forma a condicionada continuar”.

Com base nesses ensinamentos, deve-se ter seriedade na busca pelo que é transcendental, procurando se conhecer a si mesmo e, ao mesmo tempo, adquirindo conhecimento sobre Deus. Então a experiência tântrica, através do esforço, fluirá e se tornará espontânea, do que surgem eventos para a consciência que se transcendentalizou, que são resultados práticos na existência individual.

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre Prema Sakhi e Guru Ma Shri


1-Sobre felicidade eterna e estar vivendo nesse mundo linear, ao conhecer a Suprema Personalidade e com Ele se relacionar. O que a Senhora poderia esclarecer para a mente linear, como é exatamente ser e estar nessa felicidade?

A felicidade eterna (sat-cit-ananda) é persistente sensação de leveza, alegria e bem-aventurada intimidade com a Pessoa Suprema. Essa intimidade, no Tantra que se rege pelo princípio da dualidade-não dualidade (personalismo – não personalismo), é fruto de se ter atingido a unidade com o Todo que Ele é e a alma se percebe sendo esse Todo (Mukti), mas também de estar vivendo uma relação íntima com tal Suprema Pessoa, com o coração rendido e repleto de amor puro por Deus (Prema Bhakti). Ser e estar nessa felicidade eterna é viver em consciência contínua tântrica em tudo o que se faça, sejam as atividades pertencentes ao campo da linearidade, sejam elas mais puramente religiosas. Tudo se torna expressão da união perfeita e da eterna relação com Shiva.

 

2- O Senhor Shiva fala: “O campo do que pertence ao pensamento transcendental não é propriamente um campo, exceto se quem o reconhece como tal esteja ausente de qualquer padrão da linearidade.” A Senhora poderia falar mais sobre esse campo?

O mundo transcendental não se ajusta a nenhum conceito criado pelo pensamento linear, portanto o “campo” da experiência transcendental só é assim chamado para que se possa, de alguma maneira, explicar a transcendência. Não há propriamente um campo, mas experiências, percepções, sentimentos, conhecimentos que se interligam em um Todo lógico, perfeito e eterno. Explicamos esse Todo como um “campo” apenas de maneira ilustrativa, pois a palavra em si falha na concepção do que ele é, por ser ela uma palavra criada pela mente linear.

 

3- Então, a Senhora poderia falar mais sobre sayujya moksha (ou mukti) na interação da pessoa enquanto alma, com Deus?

Quando conhecemos nossa relação íntima com a Pessoa de Deus, vivemos ela com um humor que caracteriza nossa relação com Ele (Bhava). Além disso, se nossa consciência está sendo regida pelo Tantra dualista - não dualista (por bhedabheda tattva), nos percebemos unos com Deus. Nesse caso, tudo na vida se torna cocriado com Ele. Perdemos a noção de estarmos alheios à condução dos nossos destinos, como na concepção dualista de Deus, que faz as pessoas se sentirem meramente dependentes da vontade dEle. Somos dependentes e, ao mesmo tempo, coparticipativos nas decisões e nas construções das nossas vidas, que são regidas pelo uníssono de interesses que temos para com Ele (como parte dEle).

 

4-E quando a alma individual se autorrealiza, através do ato cocriativo, realizando o aspecto que lhe dá reflexo, a senhora poderia esclarecer mais sobre essa dinâmica?

A alma se autorrealiza através do ato cocriativo quando ela se percebe Una com Shiva, enquanto cocria sua experiência com Ele enquanto Pessoa. Essa Pessoa (Shiva) lhe reflete de volta quem ela é (a alma), ao perceber-se junto dEle, vivendo com Ele uma experiência transcendental.

 

5- Se o Brahman é um jeito do Senhor brilhar se fazendo presente, o que poderia significar para Sua criação um jeito de se aproximar mais dEle?

Contemplar tudo que existe, amando a experiência da vida, por vê-Lo em todas as coisas que temos a fazer, nas pessoas em geral e em cada ser vivente. Tudo vibra com o brilho dEle, mas só percebemos o Brahman quando essa compreensão se torna autorrelizada. Saber disso apenas teoricamente não nos autoriza a vivenciar o jeito de ser do Senhor que está em tudo ao nosso redor. Só conseguimos nos aproximar mais dEle através do Seu brilho quando nos percebemos enquanto o brilho também, imersos que estamos no Todo da presença Una junto de Mahadeva.

 

6-A Senhora poderia falar mais sobre as configurações dos Ternários Originais, onde as suas configurações irão surgir a estrutura sétupla universal?

Esse tema é bem complexo para quem não conhece os campos de integração de forças que se formam entre o “foco de atividade construtiva (a Consciência Original), outro que lhe manifesta a Vontade (a Forma Primordial) e um campo de interação entre ambos, que contém tanto Consciência quanto Forma e do qual, portanto, aflora a Sabedoria do processo recí­proco que o origina (Shiva Tantra, p. 34)”. A Consciência Original é a Primeira Pessoa Suprema (Parameswara ou Ishwara) e a Forma Primordial é a Contraparte Complementar dEle (Parameswari ou Ishwari). O campo de interação entre ambos é gerado a partir da dança cósmica que eternamente se faz entre Shiva Shakti – Radha Krishna. Os Ternários Originais são arquétipos que, quando tantricamente autorrealizados, fornecem consciência cocriativa na Unidade com Shiva Shakti (não-dualista), em conformidade com a experiência específica de cada um (dualista).

domingo, 7 de dezembro de 2025

Darshana de Mahadeva (Através do Lingam)

 


Darshana é a benção de olhar para a Divindade, que está em uma Deidade, no Templo, em algum lugar sagrado e/ou uma pessoa santa. Estando em uma peregrinação na cidade de Nashik e adjacências; e, posteriormente, em Vrindavana e Govardhana, me foram concedidas algumas de tais bençãos. A partir delas, escrevo sobre alguns dos lugares, Templos e Deidades de Mahadeva que visitei (na figura acima, o Naro Shankar Mandir, em Nashik).

Minha intenção é descrever as glórias da devoção a Shiva, que se expressam na forma do Serviço Devocional, quando ele se constitui da visita a algum dos lugares sagrados de Shankara (Bholenath). Quero também compartilhar algo que possa estimular o(a) devoto(a), quando estiver escolhendo uma ou mais peregrinações, dentro dos estados de Maharashtra e Uttar Pradesh (Índia).

 

Kapaleshvar Mahadeva (e Kapureshvar Mahadeva)

A cidade de Nashik[i] é local sagrado por ter abrigado Sita, Rama e Lakshmana, durante parte do exílio que assumiram para manter a honra de uma promessa do pai (e sogro), o rei Dasharatha. O Ramayana descreve com detalhes como a rainha Kaykeyi leva a família toda à desgraça ao exigir do esposo que seu filho Bharata seja coroado no lugar de Rama e que este último seja exilado na floresta por quatorze anos.

A mesma escritura narra que o sábio Agastya instruiu Rama a ir para aquele local, dizendo-lhe: “Procura Panchavati! Ela é uma floresta encantadora, que irá encantar Maithili (Sita). Aquele lugar, digno de todo o louvor, não é longe daqui, ó Raghava (Rama), e fica perto do rio Godavari; Sita será feliz lá. Cheio de raízes, frutas e todos os tipos de aves, ele é reservado, ó herói de braços longos, e é adorável, agradável e sagrado. Tu de caminhos justos, que és sempre ativo e capaz de defender todos os seres, residirás lá, ó Rama, a fim de proteger os ascetas” (Ramayana 3.13).

Panchavati é visitada diariamente por centenas de peregrinos atualmente, sendo que o Kapaleshvar Mahadeva Mandir se situa ali[ii]. O darshana de Mahadeva em Nashik está misturado com a presença divina de Sita Rama Lakshmana, sendo Ele o Senhor de Rama (e Rama o Seu Senhor). O templo de Kapaleshvar está situado próximo às margens do Godavari e perto do Rama Kunda[iii]. Trata-se de uma área privilegiada da cidade, desde o ponto de vista devocional.



Ele é famoso por ser o único templo de Mahadeva sem Nandi, o que se explica através de um aspecto da lila da Deidade. Conta-se que Shiva teria se banhado no Rama Kunda (figura acima), por instrução de Nandi, a fim de se purificar por ter matado acidentalmente uma vaca. No lugar dessa penitência, o lingam está instalado, e Ele é Kapaleshvar Mahadeva, que tem Nandi como seu guru. Por esse motivo, Nandi não está presente contemplando o lingam, como em todos os outros templos de Shiva.

Kapaleshvar nos ensina o poder da penitência e da purificação nos rios e kundas sagrados. Não muito distante dEle, existem outras deidades de Shambhu, sendo Kapureshvar Mahadeva uma delas, a qual chamou bastante minha atenção. Ela está instalada em um pequeno templo, muito pequeno mesmo. As pessoas fazem fila para entrar em levas e de maneira coordenada pelo pujari que está ali presente. Com esse lingam, entendi que a devoção pura e a rendição a Shiva é sempre reconhecida por Ele, independentemente de onde o(a) devoto(a) esteja. Também revisei em meu coração que não importa se um templo é opulento ou não, Mahadeva está em tudo e em todos Seus espaços. Em um templo tão simples, encontramos uma Deidade muito forte, nos doando um darshana bastante intenso e perfeito.

 

Trimbakeshvar Mahadeva/Kushavarta Kund

Dentre os doze jyotirlingas (jyotir = luz divina, irradiância; lingam = forma fálica de Shiva) mais importantes de Shiva, Trimbakeshvar é a oitava. Ele está situado na cidade de Trimbak Nagar, a 30 Km de Nashik, no sopé da Brahmagiri Parvat (veja imagens sobre essa montanha, clicando aqui). Esse linga tem três faces, sendo a manifestação de Brahma, Vishnu e Mahesh (da Trimurti)[iv]. A lila do seu aparecimento está associada à penitência de Gautama Rishi que, após ter sido injustamente acusado de matar uma vaca, buscou pelo abrigo de Mahadeva, que lhe concedeu como benção a descida de Godavari[v], um aspecto de Ganga.

No local onde Godavari aparece, há o Gautama Kunda (ou Kushavarta Kunda), sítio de congregação de devotos, durante o Kumbh Mela, que acontece em Nashik, a cada 12 anos. Esse kunda fica a aproximadamente 100 m do templo, tendo uma vibração carregada da essência divina que o faz existir. O templo e o kunda nos ensinam que a maledicência contra o Ser Divino, que está em um devoto puro, não tem vida longa. Além do que, a benção que Shiva concede a Gautama fortalece a fé na tapasya (penitência) e na devoção a Deus acima de qualquer coisa. Ele é capaz de mudar a geometria de uma região para abençoar um(a) devoto(a), mostrando-se presente onde as bençãos acontecem, a fim de estendê-las infinitamente aos que o amam. No Trimbakeshvar Mahadeva Mandir (figura abaixo), grandes filas de devotos(as) buscam por tais bençãos, através do darshana da jyotirlinga de três faces.




 

Grishneshvar Mahadeva

Outra jyotirlinga que visitamos é a décima segunda das 12 principais mais importantes formas fálicas de Mahadeva na Índia. Grishneshvar (ou Grushneshvar) Mahadeva é uma das três jyiotirlinga do estado de Maharashtra, juntamente com a anterior – Trimbakeshvar e Bhimashankar. O distintivo dela é que se trata da única das doze jyotirlinga que pode ser tocada e adorada diretamente pelos devotos(as) que a visitam. Tivemos o prazer transcendental de banhar Grishneshvar Mahadeva, oferecendo-lhe flores, folhas de bilva e água do Ganges.

A lila do aparecimento da Deidade se refere à devoção pura de Grushma, que perdera o filho garoto, assassinado pela irmã ciumenta do marido de ambas. Por tê-la como devota sincera, Mahadeva lhe devolve o filho vivo e aparece Ele mesmo das águas do rio, onde o corpo do garoto tinha sido afundado após ter desfalecido. Shiva, ao aparecer perante Grushma, oferece-lhe a oportunidade de pedir pela benção que desejar. A devota pede a Mahadeva que perdoe sua irmã e que permaneça naquele lugar, tornando-o sagrado. O Senhor lhe concede as duas graças, ficando ali, na forma de Grishneshvar (ou Grushneshvar) Mahadeva.

Portanto, o darshana dessa Deidade nos ensina que devemos dar acesso a todos(as) que queiram buscar aproximar-se mais de Deus (de Shankara). Sempre que tivermos nós mesmos nos aproximado mais dEle de alguma maneira, devemos compartilhar com os que queiram também se aproximar daquilo que nos permite tocá-Lo. Ademais, Grishneshvar mostra que precisamos perdoar sempre, mesmo as maiores ofensas de quem não sabe bem o que faz, quando o que faz compromete a felicidade de outros.

 

Gopeshvar Mahadeva

Já no estado de Uttar Pradesh, permanecemos por mais tempo em Vrindavana e adjacências, tendo contato mais intenso com Gopeshvar Mahadeva. Gopeshvar é a forma fálica de Shiva que se manifesta na Madhurya Rasa Lila de Radha Krishna[vi]. Afinal, Vrindavana e a região de Vraja como um todo, onde ela se localiza, são voltadas para o Casal Supremo nesse humor. Tudo em Vrindavana se desenvolve em torno de Radhe Shyam, inclusive a cultura e a linguagem braj bhasha[vii].

Dentro disso, Mahadeva é adorado como Gopeshvar, por ter adentrado na dança da rasa, desejoso que estava de viver da experiência. A dança da raça é a culminância do amor conjugal (em Madhurya bhava), que Radha e as outras gopis nutrem por Krishna. Ela é descrita no Bhagavata Purana (10.29), quando, nas noites de outono, as gopis abandonam todos seus afazeres para correr buscando por Krishna, que as chama através do toque da Sua flauta. Então, após episódios de encontros e separações, “começou a dança festiva, chamada rasa, embelezada esplendidamente pelo círculo de gopis com Krishna, o Grande Mestre de Yoga de inconcebíveis poderes místicos, que entrou entre cada duas gopis e com Seu braço ao redor do pescoço da gopi adjacente, fez com que cada donzela se considerasse a mais querida por Ele” (BP 10.33.3).

É dito que Mahadeva, disfarçado de gopi, adentra na dança da rasa, tornando-se um Mestre que ensina as almas devotas que desejam fazer o mesmo. Esse Mestre é Gopeshvar Mahadeva, que está em muitos dos linga de Vrindavan. Em alguns templos locais, em que a Deidade de Shambhu está presente, como o Bankhandi (Bankhandeshvar) Mahadeva Mandir e o Narsimha Dev Mandir (figura abaixo), o linga está desnudo, durante o dia; e vestido de gopi, durante à noite. Sendo assim, o linga de Gopeshvar está ensinando como se adentra na lila pessoal de Deus (Krishna Shiva), por meio da mística das noites de Vrindavana. Por esse motivo, deve-se começar o yatra de Vrindavana, visitando Seu templo.






[i] Nashik é uma das quatro cidades sagradas que recebem o festival do Kumbh Mela, junto com Prayag, Haridwar e Ujjain. O festival acontece nos quatro sítios onde se reconhece que as gotas de amrita (néctar da imortalidade) caíram, durante o batimento do Oceano de Leite (Samudra Manthan), por devas e asuras. O amrita fornece imortalidade, de modo que as águas dos rios das quatro cidades oferecem aos devotos(as), que nelas se banham, purificação dos pecados e liberação do carma.

[ii] Veja mais detalhes em: https://kapaleshwar.in/.

[iii] A área devocional mais importante de Nashik se localiza em torno de quatro kundas, os quais não têm uma delimitação clara: Rama Kunda, Sita Kunda, Lakshmana Kunda e Hanuman Kunda. A cada doze anos, ocorre um Kumbh Mela em Nashik, quando uma multidão de devotos visita as margens e as águas do Godavari, incluindo os quatro kundas.

[iv] Veja mais detalhes em: https://www.trimbakeshwartrust.com/.

[v] Godavari é um dos Sapta Nadi de Bharatavarsha (Índia como ela é descrita nos textos sagrados), junto com Ganga, Yamuna, Saraswati, Sindhu, Narmada, Godavari e Kaveri, os rios sagrados e suas respectivas divindades femininas. Existe um diagrama que representa os mesmos sete rios sagrados como a recorrência da sétupla divisão do universo, que se manifesta nas subdivisões de um rio cósmico (veja aqui).

[vi] Para conhecer mais sobre madhurya rasa, visite: https://srikrishnamadhurya.blogspot.com/.

[vii] Braj Bhasha é tanto uma língua, quanto uma cultura. Enquanto língua, é reconhecida como dialeto do Hindi. Na religião Hindu local, Krishna é a principal divindade masculina, acompanhado por Radha. Ambos estão presentes em um tipo de devoção local, caracterizada principalmente pela realização de Serviço Devocional (Bhakti) a Radha Krishna, o que dá conformação à cultura local, incluindo literatura, teatro e música. Muitas poesias e canções devocionais, compostas para o Casal Divino, têm sido escritas e cantadas no dialeto.

domingo, 3 de agosto de 2025

Shambhu charane padi (Prostro-me aos pés de Shambhu)



https://www.youtube.com/watch?v=fjXYq4EsLOs&t=2s

 

Śambhu caraṇē paḍī,

māguṁ ghaḍī rē ghaḍī kaṣṭa kāpō dayā karī śiva darśana āpō (2)


Prostro-me aos pés de Shambhu, implorando, por favor, por Seu darshana. (2)

 

Tamē bhaktōnā dayā haranārā,

śubha saunuṁ sadā karanārā (2)

hu tō manda mati, tamārī akaḷa gati, kaṣṭō kāpō

dayā karī śiva darśana āpō


Você é quem remove o sofrimento dos devotos, quem sempre traz boa fortuna. (2) Enquanto eu sou uma mente obtusa, sua velocidade insondável, corta o sofrimento.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Aṅgē bhasma smaśānanī cōḷī, saṅgē rākhō sadā bhūta ṭōḷī (2)

bhālē tilaka karyuṁ, kaṇṭhē viṣa dharyuṁ, amr̥ta āpō

dayā karī śiva darśana āpō

 

Sobre as cinzas da cremação, abriga as almas perdidas com você para sempre. (2) Com a lança fez a marca de tilak, o veneno foi levado até a garganta, nos dando Seu néctar.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Nēti nēti jyāṁ vēdō kahē chē, māru citaḍu tyāṁ jāvā cahē chē (2)

sārā jagamāṁ chē tuṁ, vasuṁ tārāmāṁ huṁ, śakti āpō

dayā karī śiva darśana āpō


“Nem isto, nem aquilo”, para onde quer que os Vedas apontem, meu pássaro voa para lá (2) Você está em um mundo ideal, eu vivo em Você, me dê força.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Āpō dr̥ṣṭimāṁ tēja anōkhuṁ, sārī sr̥ṣṭinē śivarupa dēkhuṁ (2)

mārā manamāṁ vasō, haiyē āvī hasō, śānti sthāpō

dayā karī śiva darśana āpō


Dê-me um brilho único aos olhos, deixe-me ver a boa criação na Sua forma, Shiva. (2) Habite em minha mente, venha e sorria em meu coração, estabeleça a paz.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Huṁ tō ēkalapanthī pravāsī, chatāṁ ātama kēma udāsī (2)

thākyō mathī mathī, kāraṇa maḷatu nathī, samajaṇa āpō

dayā karī śiva darśana āpō


Sou um viajante solitário, mas por que minha alma está triste? (2) Estou cansado do cansaço, não encontro uma razão, por favor, me dê um entendimento.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Śaṅkara bhavaduḥkha kāpō, nitya sēvānuṁ śubha dhana āpō (2)

ṭāḷō mānava madā, gāḷō garva sadā, bhakti āpō

dayā karī śiva darśana āpō


Śambhu caraṇē paḍī, māguṁ ghaḍī rē ghaḍī kaṣṭa kāpō

dayā karī śiva darśana āpō (3)

 

Ó inocente Shankar, corta o sofrimento da vida, dá-me a auspiciosa riqueza do serviço diário. (2) Evita a ganância humana, a maldição e o orgulho. Dá-me devoção.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva.

 

Prostro-me aos pés de Shambhu e Lhe imploro, a cada hora, que corte o sofrimento da vida.

Tenha misericórdia e me conceda Sua visão, Shiva. (3)

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Shiva Tantra e o Equilíbrio do Corpo

 


Resumo do Livro ShivaTantra para Libertação Espiritual

 

Essa parte do livro deixa claro que não tem como comparar a experiência sexual material ao estado de beatitude absoluta (ananda), que há na unidade dos princípios masculino e feminino, sendo esta, no entanto, a base da inspiração para quem busca pelo sexo perfeito na linearidade. Tal união está muito além do que possa ser alcançado pela mente humana, sendo inacessível para quem vive a experiência cotidiana deste mundo sem ter consciência transcendental.

A Suprema Pessoa, Shiva, inclusive diz: “(...). A sensação da perfeita união transcendental só existe quando quem é efeito é também causa do que, por pretender se unificar, enfim, através de duas partes, se fez perfeição. Só que tal perfeição é possível apenas quando o que se une é igual e diferente ao mesmo tempo, sendo que o que difere entre ambas as porções as torna idênticas em sensação e mútuas em interação. (...).”

Assim sendo, tal perfeição só é vivenciada em Shiva Shakti, isto é, na unidade do aspecto masculino e feminino de Deus, em que, Mahadeva em sua Totalidade vivencia a Totalidade de sua Shakti, Parvati. Dando-se trocas de sensações em suas completudes, vistas e sentidas apenas por suas completas naturezas.

Sendo a alma humana uma dimensão personificada do masculino e feminino, ela também pode experimentar a mesma sensação de unidade com o todo-Brahman.  Mas somente Shiva e Parvati, as Eternas Pessoas, podem realizar através de suas recíprocas experimentações, o que a jiva (alma individual corporificada) jamais pode fazer, exceto se ela constituir conscientemente esse Todo integrado.

Então, não há como comparar o prazer sexual corporal físico material e o prazer da reciprocidade entre os princípios masculino e femininos, que se dá em Shiva Shakti, Radha Krishna, Lakshmi Narayana, a menos que o prazer seja vivenciado a partir da consciência do Eterno Casal. Só quem desconhece o verdadeiro significado vivenciado em sat-cit-ananda se permite fazer tal comparação com o sexo meramente material, do que aqui é ensinado, e que, somente pelo componente físico-corporal, não pode ser alcançado.

E é importante compreender que através do Tantra podemos nos aproximar mais da refulgência de Deus (Brahman), e partindo da visão Neo-Bhagavata, da Pessoa de Deus (Bhagavan). De modo que, através de tal estado de equilíbrio, a alma humana pode atingir bem-aventurança quando encontra dentro de si os princípios masculino e feminino, em União Mística. Ao realizar o equilíbrio dos princípios masculino e feminino, ela experimenta enfim o amor puro por Ele (prema), o que, na relação pessoal com a Pessoa Suprema, permite à alma experimentar um dos maiores prazeres, o qual é impossível de ser comparado ao orgasmo corporal meramente material.

Assim sendo, apenas uma alma que corporifica a Eterna Consorte (uma encarnação dEla), quando alcança a Pessoa de Deus (Shiva), vivencia o rito perfeito de intercâmbio entre os aspectos masculino e feminino. Esse rito é a origem, meio e fim da busca e do culto tântrico. Afinal, a alma da pessoa humana pode ter vislumbres dessa relação de intimidade, dependendo de atingir um estado de equilíbrio entre corpo, amor e devoção a Shiva Shakti.

Esse amor verdadeiro precisa ser cultivado através do conhecimento sagrado, o qual liberta do desejo meramente carnal pelo gênero oposto (ou por pessoas do mesmo sexo). Sendo assim, para quem prefere acreditar que a sexualidade é um caminho para a elevação espiritual, compreenda-se que na verdade ela é um reflexo do que se pode adquirir através do contato íntimo com a consciência de Shiva Shakti. Mas, esse é um tipo de experiência que, na Era de Kali Yuga, não está acessível para a mente linear condicionada do momento.

Assim, o Senhor Shiva coloca: “Não se quer dizer com isso que não exista a possibilidade de uma alma realizar a União Mística que se expressa através do que o mundo linear entende como sendo o ápice do prazer atingido entre duas pessoas, mas, fazer-lhes compreender que a condição humana só se torna passível de atingir tal experiência quando alcança Minha Unidade enquanto Pessoa em Consciência (e/ou atitude) do Onisciente que em tudo está. (...).”

Sendo assim, o Tantra é um caminho a ser guiado tanto pelos sentidos físicos como através das percepções espirituais, sendo voltado à mais elevada espiritualidade, a ser alcançada por meio de autorrealização. Quando ênfase é dada aos caminhos tântricos que acontecem através dos sentidos físicos, pode haver reeducação sensorial e a superação das forças primitivas corporais, que levam o ser humano a buscar por prazer meramente carnal. Quando o Tantra é voltado à espiritualidade profunda, ele conduz à libertação das teias da materialidade e ao avanço espiritual. Ambos se complementam, por coexistirem na vivência plena e perfeita do Supremo Casal (Shiva Shakti).

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre Prema Sakhi e Guru Ma Shri

 

1-Sempre houve essa comparação do Tantra puramente espiritual com a experiência sexual material? A Senhora poderia dizer como essa comparação, digamos assim, teve início?

Essa comparação é natural que aconteça quando a alma humana se percebe como espiritual e, ao mesmo tempo, entidade corporal. Isso porque, conforme explicado no texto acima, ambas as experiências são complementares no Todo integrado, que Shiva Shakti é. No entanto, com o aparecimento da alma individual corporificada (jiva) no mundo material, em meio às teias de maya (ilusão), há a tendência dela se perder da experiência mais plena espiritual, buscando por prazer apenas através dos sentidos físicos. Sendo assim, essa comparação se torna existente a partir do momento em que, vivenciando a existência mundana, a jiva retoma aspectos de sua consciência espiritual original, sendo inspirada pela perfeita União Mística do Supremo Casal. Pode-se dizer que esse tipo de comparação é para sempre existente nos ciclos de Eras, os quais contém o aparecimento das almas corporificadas, causando separação aparente delas para com sua Fonte eterna, o que, por sua vez, as estimula a desejar voltar à experiência do Todo integrado.

 

2-Sendo assim, a Senhora poderia esclarecer mais ao que o Senhor Shiva descreve da seguinte maneira:

“A sensação da perfeita união transcendental só existe quando quem é efeito é também causa do que, por pretender se unificar, enfim, através de duas partes, se fez perfeição.”

Isso significa que a perfeita união transcendental só existe no âmbito da Consciência de Shiva Shakti, que é causa e efeito, ao mesmo tempo, do desejo de se relacionar enquanto Supremo Casal.

 

5-É muito difícil para a mente humana alcançar essa completude, então a Senhora poderia descrever um pouco o que seria essa sensação de completude na unidade de Shiva Shakti?

Não tem como descrever em palavras lineares sensações que estão além das possibilidades da mente humana. Por esse motivo, como eu poderia descrever por meio de um texto escrito para a mente linear o que somente vivencio a partir da União Mística? O que posso assegurar é que se trata de uma sensação eterna, reconhecível como a única possibilidade de se viver com felicidade verdadeira (sat-cit-ananda), para quem a experimenta. Ela é a vida e seu significado, o porquê da existência e o destino dela.

 

6-E sobre a “sensação da unidade com o Todo, Brahman” que a alma humana pode ter. Como chegar a essa experiência, ou seja, encontrar dentro de si esta condição em Bhagavan, a Senhora poderia esclarecer mais sobre esse assunto?

Existem diferentes escolas e/ou vertentes filosóficas religiosas que ensinam o buscador a chegar a essa experiência. No sistema Neo Bhagavata, que eu ensino, existem Quatro Pilares, os quais precisam ser trabalhados de maneira integrada. O Shiva Tantra da Pessoa de Deus é um deles, sendo os demais: a Religião Bhagavata da Nova Era, o Caminho da Flor de Lótus e a Escola Mìstico Religiosa da Ordem de Zadkiel. O(A) devoto(a) precisa aprender/praticar o Caminho da Flor de Lótus, sob orientação da Mestra Espiritual (Guru Ma Shri), procurando eliminar as imperfeições do ego e praticar hábitos mais condizentes com padrões superiores da consciência. Será dessa forma que ele/a pode ir localizando dentro de si tal condição existencial (na União Mística transcendental).

 

7-Para realizar o equilíbrio dentro de si, da União Mística dos dois princípios, pode ocorrer com qualquer alma que busca através do Tantra sua elevação espiritual? A elevação, a transcendentalização, é sempre por meio da Eterna Consorte do Senhor? A Senhora poderia esclarecer mais sobre esse rito?

Não vejo a União Mística como algo que possa ocorrer com qualquer alma que busca através do Tantra por elevação espiritual. Algumas não conseguem alcançar o que buscam, mesmo após inúmeras vidas sucessivas tentando. Mas, a elevação, através da transcendentalização da existência, por meio do Tantra, só pode acontecer através da elevação da vibração da Kundalini individual até o ápice dela, onde ela consegue se perceber na diversidade e, ao mesmo tempo, na unidade com a Shakti Divina (Parvati), sem perder sua identidade específica na mesma relação, apesar de vivenciar a unidade com Deus (e com a Deusa). Ou seja, quando a busca pela experiência transcendental se dá por caminhos tântricos, sim, é preciso autorrealizar-se por meio de sua própria união mística interior (no seu masculino/feminino específico), realizando o significado prático da União Mística em Shiva Shakti (Masculino/Feminino Absoluto). Nesse caso, sempre haverá o rito da ascensão espiritual do aspecto feminino da alma individual até o ponto onde ela se relaciona com a Pessoa Eterna da Shakti, quem, por Sua vez, existe para sempre no Todo integrado com Shaktiman (Shiva).

 

8-E finalmente, com essas palavras do Senhor Shiva “Se não há, portanto, o que dentro de si manipular para a Mim mesmo alcançar, certamente não haverá a potencialidade de, ao que é meramente humano, poder completamente transcendentalizar.” O que a Senhora deixaria registrado aqui em torno do quanto o Tantra pode contribuir à transcendência dos sentidos e aos caminhos que conduzem à alta espiritualidade?

Shiva quer dizer com essa frase que, sem a consciência interior, não há como alcançá-Lo, pois, Tantra é acima de tudo um processo de autorrealização que parte da transcendência dos sentidos para que se possam atingir patamares mais elevados de espiritualidade. Quando tocamos o mundo material, estando conscientes de nosso Ser Divino interior, os sentidos materiais se espiritualizam, de modo que a vida cotidiana em si se transforma em um ato tântrico. Mas, sem tal consciência, não existe a possibilidade de atingir o ápice da experiência que o Tantra ensina, ou seja, é impossível, através do sexo carnal, viver a União Mística do Supremo Casal, sem que exista unidade do ser individual no Todo integrado que Shiva Shakti é.

domingo, 9 de março de 2025

Shiva Ashtottara Shatanamavali


 

108 Nomes de Shiva


Para ouvir a recitação dos 108 nomes de Shiva na forma de stotram:
https://www.youtube.com/watch?v=52f9UR87UMk

 
https://www.youtube.com/watch?v=xCmZdL_MZSc&t=28s

Por stotram compreenda-se uma reverência que se faz a uma Deidade em particular, sendo que no caso do Shiva Ashtottara Shatanamavali, trata-se de um conjunto de versos que reverenciam 108 nomes de Mahadeva. Eles prestam “Reverências àquele que”:

om sivaya namah (é sempre puro)

om mahesvaraya namah (é o Supremo Senhor) [1]

om sambhave namah (concede prosperidade)

om pinakine namah (transporta o arco divino nas mãos) [2]

om shashishekharaya namah (é o Deus com a lua crescente na cabeça) [3]

om vamadevaya namah (é agradável e auspicioso) 

om virupakshaya namah (tem olhos oblíquos) [4]

om kapardine namah (tem cabelos densamente emaranhados)

om nilalohitaya namah (tem as cores vermelha e azul)

om sankaraya namah (concede felicidade e prosperidade)

om sulapanaye namah (transporta um tridente) [5]

om khatvangine namah (transporta uma maça serrilhada) [6]

om visnuvallabhaya namah (é querido por Vishnu)

om shipivistaya namah (emite raios de Luz ao Seu redor)

om ambikanathaya namah (é o Consorte de Ambika, Parvati)

om srikanthaya namah (tem pescoço glorioso)

om bhaktavatsalaya namah (tem inclinação por Seus devotos)

om bhavaya namah (é a existência em Pessoa)

om sharvaya namah (remove todos os problemas)

om trilokeshaya namah (é o Deus de todos os três mundos)

om sitikanthaya namah (tem pescoço esbranquiçado) [7]

om shivapriaya namah (é o Amado de Parvati)

om ugraya namah (tem ferocidade)

om kapaline namah (veste um colar de crânios) [8]

om kamaraye namah (é o inimigo de Kamadeva) [9]

om andhakasura sudanaya namah (matou o demônio Andhaka) [10]

om gangadharaya namah (sustenta a Deusa Ganga em Seus cabelos)

om lalatakshaya namah (tem um olho na testa)

om kalakalaya namah (é a morte da morte)

om krpanidhaye namah (é o tesouro da compaixão)

om bhimaya namah (tem forma terrível)

om parashuhastaya namah (carrega um machado em uma das mãos) [11]

om mrgapanaye namah (carrega um veado em uma das mãos) [12]

om jatadharaya namah (tem tranças nos cabelos)

om kailashavasine namah (é nascido em Kailash) [13]

om kavachine namah (possui uma armadura)

om kathoraya namah (tem um corpo forte)

om tripurantakaya namah (matou Tripurasura) [14]

om vrshankaya namah (tem uma bandeira com o símbolo do touro)

om vrshabharudhaya namah (cavalga um touro) [15]

om bhasmoddhulita vigrahaya namah (aplica cinzas sobre o corpo) [16]

om samapriaya namah (ama com igualdade)

om svaramayaya namah (vive nas sete notas musicais)

om trayimurtaye namah (tem a forma dos Vedas) [17]

om anishvaraya namah (não tem outro Senhor)

om sarvajnaya namah (tudo sabe)

om paramatmane namah (é a alma de todos/as)

om somasuryagni lochanaya namah (tem olhos na forma de lua, sol e fogo)

om havishe namah (é a saúde na forma de oferenda)

om yajnamayaya namah (é o Arquiteto de todos os rituais)

om somaya namah (tem em si a forma de Uma, Parvati) [18]

om panchavaktraya namah (é o Deus das cinco atividades)

om sadasivaya namah (é o Eternamente Auspicioso)

om visvesvaraya namah (é o Deus do universo)

om virabhadraya namah (é violento e, ao mesmo tempo, pacífico)

om gananathaya namah (é o Deus dos Ganas) [19]

om prajapataye namah (é o Criador dos Prajapatis) [20]

om hiranyaretase namah (emana almas que reluzem)

om durdharsaya namah (é inconquistável)

om girishaya namah (é o Deus das montanhas) 

om giri-shaya namah (é o Deus que repousa nas montanhas)

om anaghaya namah (é puro)

om bhujanga bhushanaya namah (é o Senhor adornado com serpentes de ouro) [21]

om bhargaya namah (elimina os pecados)

om giridhanvane namah (tem como arma uma montanha) [22]

om giripryaya namah (é afeiçoado por montanhas)

om krttivasase namah (veste roupas de couro animal) [23]

om purarataye namah (vive em ambiente silvestre)

om bhagavate namah (é o Deus das glórias e da prosperidade)

om pramathadhipaya namah (é Deus mesmo dos fantasmas e demônios) [24]

om mrtyunjayaya namah (venceu a morte)

om suksmatanave namah (é mais sutil que o átomo)

om jagadvyapine namah (pervade o universo)

om jagadgurave namah (é o Guru de todos os mundos)

om vyomakesaya namah (tem cabelos que esvoaçam os universos)

om mahasena janakaya namah (é o pai de Mahasena) [25]

om charuvikramaya namah (é o guardião dos peregrinos religiosos)

om rudraya namah (é Rudra) [26]

om bhutapataye namah (é o Senhor do Bhutas) [27]

om sthanave namah (é o Pilar firme e imóvel)

om ahirbudhnyaya namah (contém em si a Kundalini) [28]

om digambaraya namah (tem o cosmos como vestimenta)

om astamurtaye namah (tem oito formas) [29]

om anekatmane namah (tem uma alma e muitas formas)

om sattvikaya namah (abençoa os que promovem sattvika) [30]

om shuddhavigrahaya namah (é o Senhor da alma pura)

om shashvataya namah (é eterno)

om khandaparashave namah (corta o desespero da mente)

om ajaya namah (não tem limites e promove todas as glórias)

om papavimochanaya namah (libera dos aprisionamentos)

om mrdaya namah (mostra apenas misericórdia) 

om pashupataye namah (é o Senhor de todos os animais) [31]

om devaya namah (é o Deus de todos os deuses)

om mahadevaya namah (é o maior dos Deuses)

om avyayaya namah (é aquele que não está sujeito a mudanças)

om haraye namah (é o próprio Senhor Vishnu) [32]

om bhaganetrabhide namah (devolveu a visão, dando olhos coerentes a Bhaga) [33]

om avyaktaya namah (é sutil e invisível)

om daksadhvaraharaya namah (destruiu o sacrifício de Daksha) [34]

om haraya namah (abstrai o cosmos e destrói a escravidão)

om pushadantabhide namah (puniu Pushan) [35]

om avyagraya namah (é firme, estável e inabalável)

om sahasrakshaya namah (tem formas ilimitadas)

om sahasrapade namah (está de pé e caminhando em todo lugar)

om aparvagapradaya namah (é aquele que concede tudo e pega de volta)

om anantaya namah (é infinito)

om tarakaya namah (é o libertador da humanidade)

om paramesvaraya namah (é o Deus que está em todos os corações)


iti srisivaasttotarasatanamavalih samapta

 

Notas

1  Do sânscrito maha = grande, maior; e isvhara = Senhor Supremo.

2 Em referência ao arco dEle, chamado pinakina, o mesmo arco que Rama levanta, amarra com a corda e quebra, ganhando o direito de se casar com Sita no seu swayamwar.

3  Shiva é o Senhor de Chandra (Soma), a divindade da lua, sendo o controlador dos ciclos da natureza e da alma, cuja luz está refletida nesse que é um ornamento das tranças de Mahadeva.

4  Virupaksha é Shiva com olhos oblíquos e/ou abertos para a eternidade, tenha ela forma ou não.

5  O Tridente (trishula) é arma de Shiva, que cria/sustenta/destrói tudo.

6 Em referência à khatvanga, uma maça, que é arma e instrumento tântrico e divino.

7 O pescoço de Shiva adquire cor azul-esbranquiçada depois que Ele extrai o halhal do Oceano de Leite, o qual aparece durante o batimento de suas águas pelos semideuses e demônios.

8 O colar de crânios mostra que Shiva é o Senhor dos ciclos de nascimento e morte.

9 Em referência ao ato de Kamadeva tentar interromper a meditação de Shiva, sugestionando Lhe desejo, paixão e sentimentos luxuriosos. Mahadeva ensina que é preciso vencer tais tendências.

10 O demônio Andhaka é mencionado no Shiva Purana, sendo um filho de Shiva, que nasce cego e é criado por demônios. Mahadeva o vence em uma feroz batalha, quando Andhaka tenta raptar Parvati.

11  Shiva com quatro braços, na forma de Chandrashekara, carrega um machado (parashu) em uma das mãos superiores e um veado (mrig) na outra. As outras duas mãos inferiores oferecem proteção (abhaya) e bençãos (varada).

12  Ver nota anterior.

13  A parte material de Kailash está localizada nos Himalaias tibetanos, portanto, em território da China atualmente. É um ponto de peregrinação de devotos, por ser a morada de Shiva.

14  Tripurasura são três demônios, filhos de Taraka, que se tornaram invencíveis, após severas tapasya (penitência). Eles receberam bençãos de Brahma que só poderiam ser vencidos por Mahadeva, porque acreditavam que, por serem devotos dEle, estariam protegidos. A benção incluía três palácios, que se tornaram suas residências, os quais foram destruídos pela Pashupatashtra (arma divina) de Shiva. Mahadeva só tomou a iniciativa por ter sido intensamente solicitado pelos semideuses e a destruição de Tripurasura mostra o poder do bem sobre o mal.

15 O touro é Nandi, vahana (transportador) de Shiva.

16  Shiva aplica cinzas (vibhuti) sobre o corpo, o que, no Shaivismo, é compreendido como ritualística de renúncia aos prazeres e padrões de beleza mundanos.

17  Os Vedas são quatro: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. Eles reúnem o conhecimento sagrado, escrito na língua dos Deuses, o Sânscrito.

18  A eterna Consorte de Shiva, Uma, Parvati, Durga, a Adi-Shakti (Deusa primordial).

19  Ganas são os atendentes divinos de Shiva, que vivem em Kailash e tem Ganesha como líder.

20  Prajapatis são os procriadores da humanidade, tendo origens de Brahma (o Deus da criação), eles têm como função dar origem à sociedade humana, através de suas progênies.

21  Mahadeva usa serpentes como ornamento, pois é o Senhor delas, o controlador do medo e da morte; e o protetor dos devotos contra qualquer tipo de perigo.

22  Mais uma referência à morada de Shiva, que é Kailash, e aos Himalaias, portanto.

23  As vestes de couro animal são sinais da renúncia, que Shiva exemplifica e promove.

24  Em referência aos asuras (demônios) e bhutas (fantasmas), que tomam abrigo de Mahadeva.

25  Mahasena é Kartikeya, também chamado Murugan (o irmão de Ganesh).

26  Rudra é um dos nomes de Shiva.

27  Ver nota 24.

28  Do sânscrito Ahi = serpente; e budhna = fundação do mundo.

29  Oito formas ou atributos são associados a oito nomes de Shiva: Rudra, Sharva, Pashupati, Ugra, Bhima, Bhava, Mahadeva e Ishana.

30  Sattvika é a execução das coisas no modo da bondade, compondo a ação no conjunto de três modos da natureza material – Rajas (paixão), Sattva (bondade) e Tamas (ignorância).

31  Pashupati é outro nome de Shiva, que faz referência à sua condição de Senhor dos animais e de todos os demais seres viventes.

32  Uma referência a unidade que existe entre Shiva e Vishnu, em Harihara.

33  Bhaga era associado de Daksha, o pai de Sati. Ele foi cegado por Virabadhra, nascido de Shiva irado, destinado a destruir a arena do sacrifício de fogo daquele prajapati. Bhaga buscou o abrigo de Mahadeva, adorando-o com devoção e ganhando de volta a visão, porém agora translúcida.

34  Daksha, o prajapati, pai de Sati. Tornou-se arrogante e inimigo de Mahadeva. Promove um grande sacrifício de fogo, para o qual convida Brahma, Vishnu e os semideuses, deixando Shiva de fora. Sati abandona o corpo, incinerando-se, pelo poder do yoga. Shiva irado promove a destruição da arena e de Daksha, através do aparecimento de Virabadhra.

35  Pushan é o esposo da filha de Surya (a divindade do sol). Ele perdeu os dentes no confronto com Virabadhra, durante a destruição da arena do sacrifício de fogo. Ver notas 33 e 34.

SHIVA

  Shiva é uma dádiva que se fornece por Ele mesmo para o ser humano de cada uma das épocas ter consciência de si e de Deus. Ele se faz compr...