segunda-feira, 14 de setembro de 2026

SHIVA

 


Shiva é uma dádiva que se fornece por Ele mesmo para o ser humano de cada uma das épocas ter consciência de si e de Deus. Ele se faz compreender a partir de diferentes ângulos de visão, porém, dentre tais ângulos, apenas os que se referem à mais plena compreensão dEle serão aqui considerados.

A plenitude da compreensão de Shiva está na absoluta consciência, a qual só pode ser alcançada através do amor puro e da perfeita devoção. Então, como é apresentado em Shiva Tantra para a Libertação Espiritual (2017):

“Assim como em Ardhanareshwar, a condição andrógina de Shiva (em Shakti) e/ou de Shakti (em Shiva), há União Mística perfeita, a alma in­dividual atinge sua bem-aventurança ao encontrar dentro de si o que a leva a realizar aquela mesma condição em Bhagavan, in­dependente da identidade que Ele tenha para quem o busca. Ao realizar a União Mística dos dois princípios opostos e comple­mentares originais, então, a pessoa humana realizará o equilíbrio entre ambos os princípios dentro de si”.

Bhagavan é a Pessoa de Deus, é Shiva, Shankara, Mahadeva. A União Mística é a perfeita maneira de existir, com clareza de consciência eterna e, portanto, ininterrupta. Quando a alma atinge tal estado de autocontemplação, ela conhece Shiva. Desejamos falar sobre Ele, a Shakti e a alma em estado de sat-cit-ananda - felicidade eterna na vivência da suprema verdade.

Se quiser nos conhecer melhor, entre em contato através do e-mail srikrishnamadhurya@gmail.com.

 

Veja também:

Mística Luz dos Jardins de Krishna

https://jardinsdekrishna.com/


Shri Krishna Madhurya

http://srikrishnamadhurya.blogspot.com/

 

O Casamento de Ganapati (Shiva Mahapurana 2.4.1-55)


No Ganesha Chaturthi, que acontece hoje, selecionei esse capítulo do Shiva Mahapurana, parte 2, sessão 4, que trata do Casamento de Ganapati, como parte de um estudo que fizemos no nosso Templo Neo Bhagavata. Já conhecemos, de outros momentos, como acontece o aparecimento de Ganesha. Vimos aquele conflito que se forma entre Shiva e Ganesha, envolvendo todos os Ganas; e como que Ganesha recebe a cabeça com forma de elefante e várias bênçãos de muitos semideuses que estavam ali presentes (em Kailash). Bençãos do próprio Senhor Brahma, do próprio Senhor Vishnu, do próprio Casal Supremo - Shiva e Parvati. Em seguida, o Shiva Mahapurana adentra no casamento de Ganapati, no capítulo 19[i]. Lembrando que, o Shiva Mahapurana é Brahma que está contando para Narada Muni.

 

Narada disse:

1. Ó caro pai, a história excelente da natividade de Ganesha e de sua conduta divina embelezada por valor foi bem ouvida.

2. Ó caro pai, ó senhor dos deuses, o que aconteceu depois? Por favor, narre. A grande glória de Parvati e Shiva confere grande prazer[ii].

 

Brahma disse:

3. Ó sábio excelente, você pediu bem com uma disposição simpática. Ouça atentamente, o que eu vou narrar.

4. Ó brâmane excelente, vendo frequentemente os passatempos divinos de ambos os filhos, o amor de Shiva e Parvati aumentou.

5. A felicidade dos pais não conhecia limites. Os filhos também costumavam se divertir em alegria e amor.

6. Ó grande sábio, os filhos prestaram um grande serviço aos seus pais com grande devoção[iii].

7. O amor e carinho dos pais para com o Senhor de seis faces[iv] e Ganesha aumentou em grande medida como a lua na metade clara do mês[v].

8. Ó sábio celeste, uma vez os pais amorosos, Shiva e Parvati, tiveram uma conversa e discussão secreta.

9. Eles achavam que os dois filhos tinham chegado à idade núbil, e o seu casamento deveria ser celebrado da melhor forma agora.

10. O Senhor de seis faces era o seu grande filho amado. Ganesha também o era. Pensando assim, eles ficaram preocupados e também alegres[vi].

11. Ó sábio, vindo a saber da opinião dos pais, os filhos também ficaram ansiosos para se casar.

12. "Eu me casarei, eu casarei", dizendo assim um ao outro eles sempre brigavam entre si.

13. O casal, os governantes dos mundos, ao ouvirem suas palavras, ficaram muito surpresos, seguindo as convenções mundanas.

14. Um recurso extraordinário foi planejado por eles depois de pensarem sobre o rumo a ser seguido na celebração de seu casamento.

15. Uma vez eles chamaram os filhos e falaram o seguinte.

 

Shiva e Parvati disseram:

16. Ó bons filhos, nós concebemos as regras conducentes à sua felicidade. Ouçam amavelmente. Nós vamos lhes dizer a verdade.

17. Vocês dois são bons filhos e iguais aos nossos olhos. Não há diferença. Assim, uma condição que é benéfica para ambos foi feita.

18. Será celebrado o casamento auspicioso daquele rapaz que chegar aqui primeiro após dar a volta na terra inteira[vii].

 

Brahma disse:

19. Ao ouvir suas palavras, o poderoso Kumara[viii] partiu imediatamente do ponto fixado, para dar a volta na terra.

20. Ganesha de intelecto excelente ficou lá mesmo depois de ter ponderado frequentemente em sua mente com seu intelecto aguçado.

21. "O que deve ser feito? Para onde eu devo ir? Eu não posso atravessar a terra. Na melhor das hipóteses, pode ser possível percorrer um Krosha[ix]. Eu não posso ir além disso.

22. De que vale aquela felicidade que é alcançada depois de andar ao redor da terra?" Por favor, ouça o que Ganesha fez depois de pensar assim.

23. Ele executou a ablução cerimonial[x] e voltou para casa. Ele então falou com seu pai e sua mãe.

 

Ganesha disse:

24. Para a sua adoração eu coloquei dois assentos aqui. Por favor, sentem-se, caros pais. Que o meu desejo seja realizado.

 

Brahma disse:

25. Ao ouvirem suas palavras, Shiva e Parvati ocuparam os assentos para receberem adoração.

26. Eles foram adorados por ele e circungirados sete vezes e reverenciados também sete vezes.

27. Unindo as palmas das mãos em reverência e louvando seus pais agitados por amor e afeição, muitas vezes, Ganesha, o oceano de inteligência, falou assim.

 

Ganesha disse:

28. "Ó mãe, ó pai, por favor, ouçam as minhas palavras significativas. O meu casamento auspicioso deve ser celebrado rapidamente."

 

Brahma disse:

29. Ao ouvirem as palavras do nobre Ganesha, os pais falaram a ele, o depósito de grande intelecto.

 

Shiva e Parvati disseram:

30. Você deve circungirar a terra com todas as suas florestas. Kumara já foi. Parta você também e volte primeiro.

 

Brahma disse:

31. Ao ouvir as palavras de seus pais, Ganesha falou imediatamente e furiosamente, mas com alguma restrição.

 

Ganesha disse:

32. Ó mãe, ó pai, vocês dois são inteligentes e a virtude encarnada. Por isso, ó excelentes, tenham a bondade de ouvir as minhas palavras virtuosas.

33. A terra foi circungirada por mim com frequência, por sete vezes. Por que, então, os meus pais falam assim?

 

Brahma disse:

34. Ao ouvirem as suas palavras, os pais desportivamente inclinados, seguindo as convenções mundanas, falaram com ele assim.

 

Os pais disseram:

35. Ó filho, quando é que a grande terra foi circungirada por você, a terra composta por sete continentes e que se estende aos oceanos e que consiste em vastas selvas?

 

Brahma disse:

36. Ó sábio, ao ouvir as palavras de Shiva e Parvati, Ganesha, a mina de grande intelecto, falou assim.

 

Ganesha disse:

37. Por adorar vocês, Shiva e Parvati, eu inteligentemente circungirei a terra que se estende até os oceanos.

38. Este não é o veredicto dos Vedas ou dos Shastras ou de qualquer outro código sagrado? Isto é verdade ou não?

39. "Aquele que adora seus pais e os circungira sem dúvida derivará o fruto e mérito de circungirar a terra.

40. Aquele que deixa seus pais em casa e sai em peregrinação incorre no pecado de tê-los assassinado.

41. O centro sagrado de um filho consiste nos pés de lótus de seus pais. Os outros centros sagrados podem ser alcançados apenas depois de percorrer uma longa distância.

42. Esse centro sagrado é próximo, facilmente acessível e um meio de virtude. Para um filho e esposa, o centro sagrado auspicioso está na própria casa[xi]."

43. Essas coisas são mencionadas com frequência nos Shastras e nos Vedas. Agora, eles serão contraditados por vocês?

44. Se for o caso, as suas próprias formas se tornarão falsas. Até mesmo os Vedas se tornarão falsos. Não há dúvida disso.

45. Que o meu casamento auspicioso seja celebrado e isso também muito rapidamente. Do contrário, que os Vedas e os Shastras sejam declarados falsos.

46. Das duas alternativas aquela que for excelente deve ser seguida, ó pais, virtudes encarnadas!

 

Brahma disse:

47. Dizendo assim, Ganesha de intelecto excelente, de grande sabedoria e o principal entre as pessoas inteligentes assumiu o silêncio.

48. Ao ouvirem suas palavras, Shiva e Parvati, os governantes do universo, ficaram muito surpresos.

49. Então Shiva e Parvati elogiaram seu filho, que era esperto e inteligente, e falaram a ele que tinha falado a verdade.

 

Parvati e Shiva disseram:

50. Ó filho, você é uma alma suprema e os seus pensamentos são puros. O que você disse é verdade e não o contrário[xii].

51. Quando o infortúnio vem, se uma pessoa é profundamente inteligente, os seus infortúnios perecem assim como a escuridão perece quando o sol nasce[xiii].

52. Quem tem inteligência possui força também. Como aquele que é desprovido de intelecto pode ter força? O leão orgulhoso foi afogado em um poço por um truque de uma pequena lebre[xiv].

53. Tudo o que foi mencionado dos Vedas e dos Shastras, tudo aquilo foi realizado por você, ou seja, a observância da virtude.

54. O que foi executado por você deverá ser feito por qualquer pessoa. Nós honraremos isso. Isso não será alterado agora.

 

Brahma disse:

55. Depois de dizerem isso e apaziguarem Ganesha, o oceano de inteligência, eles resolveram realizar seu casamento.





[i] A versão do Shiva Mahapurana aqui comentada foi editada por J. L. Shastri e traduzida para o inglês por um Conselho de Estudiosos (2018).

[ii] É sempre assim, quando a gente ouve as glórias das Divindades, associadas ao que muitas pessoas chamam de mitologia. Entendendo, a partir da ciência antropológica, o significado da mitologia, que não se refere a algo inventado. A mitologia é algo que está além da possibilidade do humano comum. E que, para a pessoa que tem determinada fé, é pura verdade, a mais pura verdade. Não é mentirinha não. E realmente ouvir as glórias das Divindades nos confere grande prazer, é assim que a gente tem que perceber as leituras das escrituras que fazemos com certa frequência.

[iii] Mesmo sendo Divindades, as Divindades continuam servindo os seus pais, que são Seres Divinos também, e aqui, mais especificamente, o próprio CasalSupremo.

[iv] Kartikeya, Skanda ou Murugan.

[v] Aqui ele está falando do período que, na ciência astrológica védica, envolve desde a lua nova, transitando pela lua crescente à lua cheia (Shukla Paksha), ou fase clara da lua. A fase escura da lua se estende da lua cheia à lua nova, passando pela lua minguante (Krishna Paksha).

[vi] É normal que seja assim, independente de se tratar de um passatempo divino em si, a cultura védica vê isso com bons olhos. Tem fases de vida que as pessoas precisam experimentar. E essa é uma fase importante, que é a fase do jovem casar, ter uma família e desenvolver a sua religião a partir da vida de casado (Grihastha Ashram).

[vii] Já havia uma negociação em curso com o Prajapati Vishwarupa, para casar suas duas filhas, Siddhi (Divindade do Poder) e Buddhi (Divindade da Inteligência), com um dos dois filhos de Shiva e Parvati.

[viii] Outro nome de Kartikeya ou Skanda.

[ix] O valor exato depende de qual é o período védico, podendo ser equivalente a aproximadamente 3 quilômetros.

[x] Fazer uma ablução cerimonial é necessário sempre que se vai começar um rito sagrado, religioso. É preciso purificar-se com a água sagrada. Para tanto, ou você se banha em água sagrada, como, por exemplo, nas águas de um rio sagrado da Índia (rio Ganges, rio Yamuna ou outro), ou você usa uma água que foi consagrada aos rios, como a gente faz nos templos que estão distantes dos mesmos rios.

[xi] Segundo as escrituras védicas, o filho não deve abandonar os pais e sair peregrinando. Se deixar os pais sozinhos e sair peregrinando, então não estará peregrinando, não estará cumprindo com seus deveres religiosos. Isso está nos Vedas, onde os pais são mencionados como o centro sagrado de um filho. Lembrando, no entanto, que os Vedas estão falando de pais espiritualmente qualificados, bem como de filhos espiritualmente qualificados. Nesses casos, a religião do filho é também adorar os pais, cuidar dos pais, o que faz parte da situação de uma família situada em uma religiosidade pura e sagrada.

[xii] Então aqui já vem, de dentro dos Shastras, das escrituras sagradas védicas, uma grande lição. Tanto para os filhos, na sua religiosidade, de consagrarem seus pais como algo sagrado, quanto para todos os devotos compreenderem que os Shastras são a mais pura verdade. Além do que, eles também ensinam que Shiva e Parvati devem ser referenciados como o Casal Supremo, como o próprio planeta e os universos; e que Ganesha é a fonte da inteligência pura e da verdade.

[xiii] Então o infortúnio aqui foi um sofrimento que Ganesha teve no primeiro momento, ao pensar “mas eu vou ter que dar a volta na Terra”. Porém, devido à sua inteligência, a inteligência verdadeira, a inteligência sagrada, a inteligência dos Vedas, que aparece nos Vedas, que se expressa nas Escrituras Sagradas, ele se libertou daquilo que poderia ser um infortúnio. O infortúnio se tornou o que? Luz. Então essa é a ideia, que a prática dos ensinamentos sagrados, a prática dos ensinamentos dos Shastras, ela nos libertemde qualquer forma de infortúnio, nos trazendo as lições que estão por trás das coisas, as lições verdadeiras.

[xiv] Trata-se de uma referência a um episódio contado em uma das fábulas do Panchatantra, sobre o leão, que por ser orgulhoso de sua força, se afogou; enquanto a lebre se salvou devido à sua inteligência. Algumas das fábulas, escritas em Sânscrito, aparecem também no Rig-Veda e nos Upanishads, estando conectadas aos Nitishastras – o livro para a condução sábia da Vida (https://www.banyantree.in/jagdishpur/wp-content/uploads/2020/06/Panchatantra-.pdf). Por não ser parte da eternidade do pensamento de Shiva, penso que a referência que aparece nos versos do Shivapurana foi inserida pelo tradutor.

sábado, 11 de julho de 2026

Lingashtakam



Para acompanhar os versos, segue uma dica musicada:

https://www.youtube.com/watch?v=fSfSbaF_1cg

 

brahmamurāri surārchita liṅgaṃ

nirmalabhāsita śōbhita liṅgam

janmaja duḥkha vināśaka liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam adorado por Brahma e Vishnu (Murari)

Lingam que irradia luz pura e brilhante

Lingam que destrói as aflições do nascimento (material)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

dēvamuni pravarārchita liṅgaṃ

kāmadahana karuṇākara liṅgam

rāvaṇa darpa vināśana liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam adorado por sábios e divindades

Lingam que queimou Kamadeva (o desejo luxurioso), e personifica a compaixão

Lingam que destruiu a arrogância de Ravana (o maior dos demônios)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

sarva sugandhi sulēpita liṅgaṃ

buddhi vivardhana kāraṇa liṅgam

siddha surāsura vandita liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam que é ungido por diferentes substâncias aromáticas

Lingam que causa o aumento da sabedoria

Lingam reverenciado por Siddhas (Seres Celestiais), Suras (Divindades) e Asuras (Demônios)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

kanaka mahāmaṇi bhūṣhita liṅgaṃ

phaṇipati ṣhṭita śōbhita liṅgam

dakṣasuyajña vināśaka liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam que é adornado com ouro e gemas magníficas

Lingam que é irradiante e circundado pelo Senhor das Serpentes (Naga)

Lingam que destruiu o grande sacrifício de Daksha (pai de Sati)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

kuṅkuma chandana lēpita liṅgaṃ

paṅkaja hāra suśōbhita liṅgam

sañchita pāpa vināśaka liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam que está ungido com Kumkuma e pasta de sândalo

Lingam belamente adornado com uma guirlanda de lótus

Lingam que destrói os pecados acumulados (por eras)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

dēvagaṇārchita sēvita liṅgaṃ

bhāvai-rbhaktibhirēva cha liṅgam

dinakara kōṭi prabhākara liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam adorado e servido pelas hostes de Divindades

Lingam reverenciado com profunda emoção e devoção

Lingam que irradia o brilho de dez milhões de sóis

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

aṣṭadaḻōparivēṣṭita liṅgaṃ

sarvasamudbhava kāraṇa liṅgam

aṣṭadaridra vināśana liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam

 

Lingam que está circundado por um lótus de oito pétalas

Lingam que é a causa da origem de toda a criação

Lingam que destrói as oito formas de pobreza (toda pobreza, enfim)

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

suraguru suravara pūjita liṅgaṃ

suravana puṣpa sadārchita liṅgam

parātparaṃ paramātmaka liṅgaṃ

tatpraṇamāmi sadāśiva liṅgam.

 

Lingam que é adorado pelo Guru das Divindades (Brihaspati) e pelo maior dentre Elas

Lingam constantemente adorado com flores dos bosques celestiais

Lingam que é superior dentre as formas de Deus, a maior dentre Elas

Eu me curvo mediante tal Lingam (de Sadashiva)

 

liṅgāṣṭakamidaṃ puṇyaṃ yaḥ pathhēśśiva sannidhau

śivalōkamavāpnōti śivēna saha mōdatetē

 

Todo aquele que recita o Lingashtakam, estando próximo ao Lingam de Shiva, alcançará a Morada de Shiva e desfrutará da eterna felicidade.



domingo, 15 de fevereiro de 2026

Shiva Tantra e a Transcendência da Mente


 Resumo do Livro Shiva Tantra para Libertação Espiritual

Este Tantra foi cocriado para a humanidade e é o que ela precisa para viver em harmonia e felicidade para sempre. E, portanto, ela (a humanidade) tem que aprender a autocontrolar a mente, elevando-se para alcançar patamares da consciência onde existe uma lógica perfeita. Essa mente que busca por transcendência deve desenvolver raciocínios que eliminem os condicionamentos, os pensamentos de infelicidade e outras limitações das ideias.

Para tanto, a busca, a que o livro se refere, envolve compreensão espiritual e devoção à Pessoa de Deus (Bhagavan), com abertura a Prema Bhakti (serviço de amor puro a Deus), sabendo onde se quer chegar e direcionando a mente a um raciocínio lógico, que envolve a compreensão da eternidade. Considerando-se que a eternidade está muito além do pensamento comum, para atingi-la, é preciso romper com os padrões comuns da compreensão linear do campo da existência.  

Como caminho para tanto, no Tantra impersonalista (não-dualista), a Meta Última é sayujya moksha (ou mukti), tendo a liberação por aniquilação do ego, ou seja, uma liberação não qualificada, que significa uma autoidentificação da alma para com o Supremo Senhor. Mas para os devotos personalistas (dualistas), a meta última é samipya moksha, ou seja, de se tornar um associado íntimo do Senhor.

No Tantra que aqui descrevemos, vemos as duas concepções como dois lados da mesma moeda. Partindo disso, vivencia-se a autorrealização a partir de um ângulo de visão de uma alma associada íntima da Suprema Pessoa, que se reconhece como parte do todo ao qual pertence, em unidade com Ele. Apesar da unidade (na não-dualidade), não se perde a associação íntima com a Eterna Pessoa de Deus, que para nós é Shiva, Krishna ou Vishnu, Harihara ou Shankaranarayana.  

Compreendemos que Bhagavan, a Suprema Pessoa, é o Brahman e o Paramatma. Brahman é a Suprema Imanência, a Onisciência e a Onipotência, que em tudo há, um jeito d’Ele brilhar e de se mostrar. Ao passo que Paramatma é a presença do Senhor no coração, ou seja, sua imanência em cada alma. Mukti e Prema Bhakti são, portanto, experiências interligadas, na vivência que a alma experimenta segundo o princípio do dualismo-não dualismo (Bhedabheda Tattva).

No livro Shiva Tantra está escrito:

“Sendo assim, para haver um raciocínio mais condizente com a natureza de cada alma individual, como parte deste Todo, é preciso que ela entenda que o Eu Primordial se manifesta quan­do a Consciência se faz Luz, ao se reconhecer através da Forma”.

E o Senhor Shiva complementa: “(...). Para se pensar distintamente dos que não se percebem divinos serem, quem se pensa precisa por outra conformação das ideias procurar. Sendo assim, ensino aqui o que necessário se faz. Que o necessário se faça, segundo a vontade de a si mesma a pessoa transcender, mas, seriamente e não apenas de forma a condicionada continuar”.

Com base nesses ensinamentos, deve-se ter seriedade na busca pelo que é transcendental, procurando se conhecer a si mesmo e, ao mesmo tempo, adquirindo conhecimento sobre Deus. Então a experiência tântrica, através do esforço, fluirá e se tornará espontânea, do que surgem eventos para a consciência que se transcendentalizou, que são resultados práticos na existência individual.

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre Prema Sakhi e Guru Ma Shri


1-Sobre felicidade eterna e estar vivendo nesse mundo linear, ao conhecer a Suprema Personalidade e com Ele se relacionar. O que a Senhora poderia esclarecer para a mente linear, como é exatamente ser e estar nessa felicidade?

A felicidade eterna (sat-cit-ananda) é persistente sensação de leveza, alegria e bem-aventurada intimidade com a Pessoa Suprema. Essa intimidade, no Tantra que se rege pelo princípio da dualidade-não dualidade (personalismo – não personalismo), é fruto de se ter atingido a unidade com o Todo que Ele é e a alma se percebe sendo esse Todo (Mukti), mas também de estar vivendo uma relação íntima com tal Suprema Pessoa, com o coração rendido e repleto de amor puro por Deus (Prema Bhakti). Ser e estar nessa felicidade eterna é viver em consciência contínua tântrica em tudo o que se faça, sejam as atividades pertencentes ao campo da linearidade, sejam elas mais puramente religiosas. Tudo se torna expressão da união perfeita e da eterna relação com Shiva.

 

2- O Senhor Shiva fala: “O campo do que pertence ao pensamento transcendental não é propriamente um campo, exceto se quem o reconhece como tal esteja ausente de qualquer padrão da linearidade.” A Senhora poderia falar mais sobre esse campo?

O mundo transcendental não se ajusta a nenhum conceito criado pelo pensamento linear, portanto o “campo” da experiência transcendental só é assim chamado para que se possa, de alguma maneira, explicar a transcendência. Não há propriamente um campo, mas experiências, percepções, sentimentos, conhecimentos que se interligam em um Todo lógico, perfeito e eterno. Explicamos esse Todo como um “campo” apenas de maneira ilustrativa, pois a palavra em si falha na concepção do que ele é, por ser ela uma palavra criada pela mente linear.

 

3- Então, a Senhora poderia falar mais sobre sayujya moksha (ou mukti) na interação da pessoa enquanto alma, com Deus?

Quando conhecemos nossa relação íntima com a Pessoa de Deus, vivemos ela com um humor que caracteriza nossa relação com Ele (Bhava). Além disso, se nossa consciência está sendo regida pelo Tantra dualista - não dualista (por bhedabheda tattva), nos percebemos unos com Deus. Nesse caso, tudo na vida se torna cocriado com Ele. Perdemos a noção de estarmos alheios à condução dos nossos destinos, como na concepção dualista de Deus, que faz as pessoas se sentirem meramente dependentes da vontade dEle. Somos dependentes e, ao mesmo tempo, coparticipativos nas decisões e nas construções das nossas vidas, que são regidas pelo uníssono de interesses que temos para com Ele (como parte dEle).

 

4-E quando a alma individual se autorrealiza, através do ato cocriativo, realizando o aspecto que lhe dá reflexo, a senhora poderia esclarecer mais sobre essa dinâmica?

A alma se autorrealiza através do ato cocriativo quando ela se percebe Una com Shiva, enquanto cocria sua experiência com Ele enquanto Pessoa. Essa Pessoa (Shiva) lhe reflete de volta quem ela é (a alma), ao perceber-se junto dEle, vivendo com Ele uma experiência transcendental.

 

5- Se o Brahman é um jeito do Senhor brilhar se fazendo presente, o que poderia significar para Sua criação um jeito de se aproximar mais dEle?

Contemplar tudo que existe, amando a experiência da vida, por vê-Lo em todas as coisas que temos a fazer, nas pessoas em geral e em cada ser vivente. Tudo vibra com o brilho dEle, mas só percebemos o Brahman quando essa compreensão se torna autorrelizada. Saber disso apenas teoricamente não nos autoriza a vivenciar o jeito de ser do Senhor que está em tudo ao nosso redor. Só conseguimos nos aproximar mais dEle através do Seu brilho quando nos percebemos enquanto o brilho também, imersos que estamos no Todo da presença Una junto de Mahadeva.

 

6-A Senhora poderia falar mais sobre as configurações dos Ternários Originais, onde as suas configurações irão surgir a estrutura sétupla universal?

Esse tema é bem complexo para quem não conhece os campos de integração de forças que se formam entre o “foco de atividade construtiva (a Consciência Original), outro que lhe manifesta a Vontade (a Forma Primordial) e um campo de interação entre ambos, que contém tanto Consciência quanto Forma e do qual, portanto, aflora a Sabedoria do processo recí­proco que o origina (Shiva Tantra, p. 34)”. A Consciência Original é a Primeira Pessoa Suprema (Parameswara ou Ishwara) e a Forma Primordial é a Contraparte Complementar dEle (Parameswari ou Ishwari). O campo de interação entre ambos é gerado a partir da dança cósmica que eternamente se faz entre Shiva Shakti – Radha Krishna. Os Ternários Originais são arquétipos que, quando tantricamente autorrealizados, fornecem consciência cocriativa na Unidade com Shiva Shakti (não-dualista), em conformidade com a experiência específica de cada um (dualista).

domingo, 7 de dezembro de 2025

Darshana de Mahadeva (Através do Lingam)

 


Darshana é a benção de olhar para a Divindade, que está em uma Deidade, no Templo, em algum lugar sagrado e/ou uma pessoa santa. Estando em uma peregrinação na cidade de Nashik e adjacências; e, posteriormente, em Vrindavana e Govardhana, me foram concedidas algumas de tais bençãos. A partir delas, escrevo sobre alguns dos lugares, Templos e Deidades de Mahadeva que visitei (na figura acima, o Naro Shankar Mandir, em Nashik).

Minha intenção é descrever as glórias da devoção a Shiva, que se expressam na forma do Serviço Devocional, quando ele se constitui da visita a algum dos lugares sagrados de Shankara (Bholenath). Quero também compartilhar algo que possa estimular o(a) devoto(a), quando estiver escolhendo uma ou mais peregrinações, dentro dos estados de Maharashtra e Uttar Pradesh (Índia).

 

Kapaleshvar Mahadeva (e Kapureshvar Mahadeva)

A cidade de Nashik[i] é local sagrado por ter abrigado Sita, Rama e Lakshmana, durante parte do exílio que assumiram para manter a honra de uma promessa do pai (e sogro), o rei Dasharatha. O Ramayana descreve com detalhes como a rainha Kaykeyi leva a família toda à desgraça ao exigir do esposo que seu filho Bharata seja coroado no lugar de Rama e que este último seja exilado na floresta por quatorze anos.

A mesma escritura narra que o sábio Agastya instruiu Rama a ir para aquele local, dizendo-lhe: “Procura Panchavati! Ela é uma floresta encantadora, que irá encantar Maithili (Sita). Aquele lugar, digno de todo o louvor, não é longe daqui, ó Raghava (Rama), e fica perto do rio Godavari; Sita será feliz lá. Cheio de raízes, frutas e todos os tipos de aves, ele é reservado, ó herói de braços longos, e é adorável, agradável e sagrado. Tu de caminhos justos, que és sempre ativo e capaz de defender todos os seres, residirás lá, ó Rama, a fim de proteger os ascetas” (Ramayana 3.13).

Panchavati é visitada diariamente por centenas de peregrinos atualmente, sendo que o Kapaleshvar Mahadeva Mandir se situa ali[ii]. O darshana de Mahadeva em Nashik está misturado com a presença divina de Sita Rama Lakshmana, sendo Ele o Senhor de Rama (e Rama o Seu Senhor). O templo de Kapaleshvar está situado próximo às margens do Godavari e perto do Rama Kunda[iii]. Trata-se de uma área privilegiada da cidade, desde o ponto de vista devocional.



Ele é famoso por ser o único templo de Mahadeva sem Nandi, o que se explica através de um aspecto da lila da Deidade. Conta-se que Shiva teria se banhado no Rama Kunda (figura acima), por instrução de Nandi, a fim de se purificar por ter matado acidentalmente uma vaca. No lugar dessa penitência, o lingam está instalado, e Ele é Kapaleshvar Mahadeva, que tem Nandi como seu guru. Por esse motivo, Nandi não está presente contemplando o lingam, como em todos os outros templos de Shiva.

Kapaleshvar nos ensina o poder da penitência e da purificação nos rios e kundas sagrados. Não muito distante dEle, existem outras deidades de Shambhu, sendo Kapureshvar Mahadeva uma delas, a qual chamou bastante minha atenção. Ela está instalada em um pequeno templo, muito pequeno mesmo. As pessoas fazem fila para entrar em levas e de maneira coordenada pelo pujari que está ali presente. Com esse lingam, entendi que a devoção pura e a rendição a Shiva é sempre reconhecida por Ele, independentemente de onde o(a) devoto(a) esteja. Também revisei em meu coração que não importa se um templo é opulento ou não, Mahadeva está em tudo e em todos Seus espaços. Em um templo tão simples, encontramos uma Deidade muito forte, nos doando um darshana bastante intenso e perfeito.

 

Trimbakeshvar Mahadeva/Kushavarta Kund

Dentre os doze jyotirlingas (jyotir = luz divina, irradiância; lingam = forma fálica de Shiva) mais importantes de Shiva, Trimbakeshvar é a oitava. Ele está situado na cidade de Trimbak Nagar, a 30 Km de Nashik, no sopé da Brahmagiri Parvat (veja imagens sobre essa montanha, clicando aqui). Esse linga tem três faces, sendo a manifestação de Brahma, Vishnu e Mahesh (da Trimurti)[iv]. A lila do seu aparecimento está associada à penitência de Gautama Rishi que, após ter sido injustamente acusado de matar uma vaca, buscou pelo abrigo de Mahadeva, que lhe concedeu como benção a descida de Godavari[v], um aspecto de Ganga.

No local onde Godavari aparece, há o Gautama Kunda (ou Kushavarta Kunda), sítio de congregação de devotos, durante o Kumbh Mela, que acontece em Nashik, a cada 12 anos. Esse kunda fica a aproximadamente 100 m do templo, tendo uma vibração carregada da essência divina que o faz existir. O templo e o kunda nos ensinam que a maledicência contra o Ser Divino, que está em um devoto puro, não tem vida longa. Além do que, a benção que Shiva concede a Gautama fortalece a fé na tapasya (penitência) e na devoção a Deus acima de qualquer coisa. Ele é capaz de mudar a geometria de uma região para abençoar um(a) devoto(a), mostrando-se presente onde as bençãos acontecem, a fim de estendê-las infinitamente aos que o amam. No Trimbakeshvar Mahadeva Mandir (figura abaixo), grandes filas de devotos(as) buscam por tais bençãos, através do darshana da jyotirlinga de três faces.




 

Grishneshvar Mahadeva

Outra jyotirlinga que visitamos é a décima segunda das 12 principais mais importantes formas fálicas de Mahadeva na Índia. Grishneshvar (ou Grushneshvar) Mahadeva é uma das três jyiotirlinga do estado de Maharashtra, juntamente com a anterior – Trimbakeshvar e Bhimashankar. O distintivo dela é que se trata da única das doze jyotirlinga que pode ser tocada e adorada diretamente pelos devotos(as) que a visitam. Tivemos o prazer transcendental de banhar Grishneshvar Mahadeva, oferecendo-lhe flores, folhas de bilva e água do Ganges.

A lila do aparecimento da Deidade se refere à devoção pura de Grushma, que perdera o filho garoto, assassinado pela irmã ciumenta do marido de ambas. Por tê-la como devota sincera, Mahadeva lhe devolve o filho vivo e aparece Ele mesmo das águas do rio, onde o corpo do garoto tinha sido afundado após ter desfalecido. Shiva, ao aparecer perante Grushma, oferece-lhe a oportunidade de pedir pela benção que desejar. A devota pede a Mahadeva que perdoe sua irmã e que permaneça naquele lugar, tornando-o sagrado. O Senhor lhe concede as duas graças, ficando ali, na forma de Grishneshvar (ou Grushneshvar) Mahadeva.

Portanto, o darshana dessa Deidade nos ensina que devemos dar acesso a todos(as) que queiram buscar aproximar-se mais de Deus (de Shankara). Sempre que tivermos nós mesmos nos aproximado mais dEle de alguma maneira, devemos compartilhar com os que queiram também se aproximar daquilo que nos permite tocá-Lo. Ademais, Grishneshvar mostra que precisamos perdoar sempre, mesmo as maiores ofensas de quem não sabe bem o que faz, quando o que faz compromete a felicidade de outros.

 

Gopeshvar Mahadeva

Já no estado de Uttar Pradesh, permanecemos por mais tempo em Vrindavana e adjacências, tendo contato mais intenso com Gopeshvar Mahadeva. Gopeshvar é a forma fálica de Shiva que se manifesta na Madhurya Rasa Lila de Radha Krishna[vi]. Afinal, Vrindavana e a região de Vraja como um todo, onde ela se localiza, são voltadas para o Casal Supremo nesse humor. Tudo em Vrindavana se desenvolve em torno de Radhe Shyam, inclusive a cultura e a linguagem braj bhasha[vii].

Dentro disso, Mahadeva é adorado como Gopeshvar, por ter adentrado na dança da rasa, desejoso que estava de viver da experiência. A dança da raça é a culminância do amor conjugal (em Madhurya bhava), que Radha e as outras gopis nutrem por Krishna. Ela é descrita no Bhagavata Purana (10.29), quando, nas noites de outono, as gopis abandonam todos seus afazeres para correr buscando por Krishna, que as chama através do toque da Sua flauta. Então, após episódios de encontros e separações, “começou a dança festiva, chamada rasa, embelezada esplendidamente pelo círculo de gopis com Krishna, o Grande Mestre de Yoga de inconcebíveis poderes místicos, que entrou entre cada duas gopis e com Seu braço ao redor do pescoço da gopi adjacente, fez com que cada donzela se considerasse a mais querida por Ele” (BP 10.33.3).

É dito que Mahadeva, disfarçado de gopi, adentra na dança da rasa, tornando-se um Mestre que ensina as almas devotas que desejam fazer o mesmo. Esse Mestre é Gopeshvar Mahadeva, que está em muitos dos linga de Vrindavan. Em alguns templos locais, em que a Deidade de Shambhu está presente, como o Bankhandi (Bankhandeshvar) Mahadeva Mandir e o Narsimha Dev Mandir (figura abaixo), o linga está desnudo, durante o dia; e vestido de gopi, durante à noite. Sendo assim, o linga de Gopeshvar está ensinando como se adentra na lila pessoal de Deus (Krishna Shiva), por meio da mística das noites de Vrindavana. Por esse motivo, deve-se começar o yatra de Vrindavana, visitando Seu templo.






[i] Nashik é uma das quatro cidades sagradas que recebem o festival do Kumbh Mela, junto com Prayag, Haridwar e Ujjain. O festival acontece nos quatro sítios onde se reconhece que as gotas de amrita (néctar da imortalidade) caíram, durante o batimento do Oceano de Leite (Samudra Manthan), por devas e asuras. O amrita fornece imortalidade, de modo que as águas dos rios das quatro cidades oferecem aos devotos(as), que nelas se banham, purificação dos pecados e liberação do carma.

[ii] Veja mais detalhes em: https://kapaleshwar.in/.

[iii] A área devocional mais importante de Nashik se localiza em torno de quatro kundas, os quais não têm uma delimitação clara: Rama Kunda, Sita Kunda, Lakshmana Kunda e Hanuman Kunda. A cada doze anos, ocorre um Kumbh Mela em Nashik, quando uma multidão de devotos visita as margens e as águas do Godavari, incluindo os quatro kundas.

[iv] Veja mais detalhes em: https://www.trimbakeshwartrust.com/.

[v] Godavari é um dos Sapta Nadi de Bharatavarsha (Índia como ela é descrita nos textos sagrados), junto com Ganga, Yamuna, Saraswati, Sindhu, Narmada, Godavari e Kaveri, os rios sagrados e suas respectivas divindades femininas. Existe um diagrama que representa os mesmos sete rios sagrados como a recorrência da sétupla divisão do universo, que se manifesta nas subdivisões de um rio cósmico (veja aqui).

[vi] Para conhecer mais sobre madhurya rasa, visite: https://srikrishnamadhurya.blogspot.com/.

[vii] Braj Bhasha é tanto uma língua, quanto uma cultura. Enquanto língua, é reconhecida como dialeto do Hindi. Na religião Hindu local, Krishna é a principal divindade masculina, acompanhado por Radha. Ambos estão presentes em um tipo de devoção local, caracterizada principalmente pela realização de Serviço Devocional (Bhakti) a Radha Krishna, o que dá conformação à cultura local, incluindo literatura, teatro e música. Muitas poesias e canções devocionais, compostas para o Casal Divino, têm sido escritas e cantadas no dialeto.

SHIVA

  Shiva é uma dádiva que se fornece por Ele mesmo para o ser humano de cada uma das épocas ter consciência de si e de Deus. Ele se faz compr...